Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
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domingo, 11 de janeiro de 2026
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
domingo, 28 de dezembro de 2025
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
UMA CASA NO RETIRO DAS PEDRAS
À PROCURA DE UMA CASA NO RETIRO DAS PEDRAS
A DESCOBERTA DA CASA
domingo, 31 de março de 2024
MEMÓRIAS DE UMA EX-ALUNA
Naquela noite de 1944, Belo Horizonte estava passando por uma renovação. A Semana de Arte Moderna já completava a sua maioridade e Belo Horizonte ainda estava seguindo os padrões do Academismo.
22 anos de diferença e a renovação acontecia.
Estamos sob o governo de Juscelino Kubitschek. A Pampulha abria as
portas para o modernismo com a construção do conjunto da Igreja, Iate
Clube e a Casa do Baile. Em BH faltava uma escola de artes moderna. Foi
quando Juscelino convidou Guignard para liderar as novas idéias, vindas de São
Paulo e do Rio. Convidou para este trabalho renovador uma equipe do mais alto
gabarito.
Eu era uma jovem estudante de arte que estudava no Rio com Carlos
Chambelland e sonhava com o modernismo. Me vejo subindo a rua da Bahia com o
crítico acadêmico do Estado de Minas, professor Roberto Frank.
Ele me dizia: " Você não vai mudar, você já é conhecida e premiada
nos Salões de Arte do Rio e de BH."
Pensei comigo mesma
" Gosto das idéias
modernistas, propondo renovações. O Academismo não renova, está parado, só
lembrando o passado. "
Naquele momento eu mudei. Comecei do "zero ". Logo no
primeiro dia de aula o Guignard me surpreendeu. Estimulava o Novo, o não
condicionado pelo tempo.
Ver o Novo e saber conduzi-lo era uma das propostas de Guignard.
BH vivia momentos importantes, um ponto de mutação.
Naquela noite, na rua da Bahia, no prédio onde hoje está o Museu da
Moda, surgia um marco decisivo na história das artes em Minas. A partir daquele
momento, os artistas de Minas Gerais tomaram posição definitiva na história,
criando e renovando. Guignard incentivava a criação e ao mesmo tempo exigia
disciplina.
Nas aulas, o lápis duro era o mestre condutor.
"Nada de borracha "
"Você deve observar a natureza, seja ela uma pessoa física, um
retrato ou uma paisagem. "
"Observar o que você vê, sem pressa de acabar. "
Fazíamos então retratos "do natural", nada de cópias
fotográficas. Levávamos dias seguidos no trabalho de um retrato, procurando
trazer para o papel o que estávamos vendo.
Ao lado disto, Guignard nos conduzia também à linha contínua que trazia
a liberdade de expressão, sem condicionamentos. Partir de um ponto e regressar
ao mesmo ponto. Com este ensinamento eu pude realizar projetos de escultura e
pinturas de quadros construtivos, sem preocupações, buscando novos caminhos e
direções na arte.
Bom dia, Guignard!
Estou com 101 anos de vida e até hoje sigo as suas orientações.
Obrigada, mestre!
FOTOS DE ARQUIVO
VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MINHA VIDA DE ARTISTA”, CUJO LINK ESTÁ
NESTA PÁGINA.
quarta-feira, 12 de abril de 2023
ORIGEM DAS ESCULTURAS
As esculturas nasceram dos desenhos.
Em 1953, na minha exposição na Galeria do IBEU no Rio, o crítico
Antonio Bento me sugeriu transformar os desenhos em esculturas de fio de ferro
para alcançar o espaço tridimensional.
Escreveu
ele: “Alguns desses desenhos possuem uma grande pureza linear. E são, ao mesmo
tempo, de uma qualidade arquitetônica irrecusável. Lembram esculturas de fio de
ferro, pela nitidez com que se erguem no espaço, parecendo feitas para uma vida
mais transcendente que a do simples desenho em preto e branco. As últimas
composições da artista denotam uma segurança que não se encontra em muitos dos
nossos abstratos de maior experiência. E revelam também uma sensibilidade
apurada.”
Naquela época eu não investi nas esculturas porque gostava
das cores da pintura. Trabalhei com as cores até os painéis de grandes
dimensões. Depois vieram novos desenho, em grandes dimensões, os desenhos
gestuais. Eles nasceram da minha fase de Barcos de 1963 e foram ampliações
desta fase.
Mas a grande virada veio no ano 2000, meu ponto de mutação.
Foi quando surgiram as primeiras esculturas originadas de pequenos desenhos da
década de 1950.
Na ocasião, eu observava o trabalho tridimensional de minha
neta Elena que estudava arquitetura. Ela usava programas de computador para
transformar o bidimensional em tridimensional. Fiquei animada a usar também o
tridimensional para os meus desenhos.
Ali eu poderia ampliá-los para maiores dimensões , como foi
sugerido pelo crítico Antonio Bento em 1953.
Os desenhos bidimensionais se tornaram tridimensionais.
Elena construiu as primeiras maquetes e procuramos o Allen Roscoe que
trabalhava para o Amílcar de Castro.
Com a colaboração do Allen, muitas esculturas surgiram.
Mais tarde busquei a forma redonda usando tiras de papel.
Foi importante este tipo de trabalho.
Foi necessário um despojamento completo das cores, através
dos grandes desenhos para dar início às esculturas.
sexta-feira, 17 de março de 2023
ÁGUAS, EDUCAÇÃO, HISTÓRIA E ARTES
Águas,
Educação, História e Artes
https://us02web.zoom.us/j/84572445205?pwd=NGs1dFp2MXdvRk15ZkFMSEpOVFRZdz09
Dia 20-3-2023
as 19h30 minutos – horário de Brasilia
Evento
paralelo da Conferência da ONU sobre Água – 2023
A Conferência sobre a Água 2023, da
ONU, é o mais importante encontro internacional sobre o tema, que interessa a
todos na humanidade. Além da programação oficial, que acontece entre 22 e 24 de
março em Nova Iorque, a ONU abriu a possibilidade de realização de eventos
paralelos presenciais e virtuais. Foram
recebidas 1270 propostas e aprovados 148
eventos paralelos virtuais. Esses eventos tratam de uma grande variedade de
temas relacionados às águas: o direito à água, o papel das mulheres e das
comunidades indígenas, a gestão participativa das águas, aspectos tecnológicos
e econômicos, questões de justiça hídrica e o acesso das populações ao
abastecimento, entre muitos outros . (ver todos eles no link https://sdgs.un.org/sites/default/files/2023-03/Virtual%20final%20programme%20%282%29.pdf )
A proposta do evento paralelo virtual sobre Águas e Artes
Quase nenhum dos eventos paralelos aprovados focaliza a temática das artes
e a relevância da linguagem artística para sensibilizar sobre as águas.
O Instituto Maria Helena Andrés (IMHA) organizou este evento paralelo
à Conferência da ONU sobre Água em 2023,
para mostrar a importância da linguagem artística como instrumento
para desenvolver o potencial criativo e sensibilizar para a ÁGUA. O evento
conta com o apoio do Centro Cultural UFMG, do Centro Especializado em Arte Ambiental –
MHNJB-UFMG, das ongs planetapontocom, Instituto Undió e do projeto Entre rios e
e ruas.
O programa previamente editado , com 58 minutos de duração, apresenta exemplos a
partir do trabalho de artistas visuais, músicos,
poetas, historiadores, educadores, arquitetos,
fotógrafos, videomakers e ecologistas.
Na primeira parte, com 26 minutos, agrupamos as contribuições
focalizadas na relação da Água com a Vida. Tomamos como exemplo as pinturas de
Maria Helena Andrés e de Bax; o vídeo musical Água do grupo Voz &
Poesia; o livro A Água fala de Maurício e Aparecida Andrés, ilustrado
por MHA; as fotografias de nuvens, de
Maurício Andrés; as músicas sobre água e
nuvens de Artur Andrés; vídeos de Fabricio Fernandino (Aqua) e João Diniz(Waterfeel). Apresentamos ações
geradoras de hidroconsciência e de educação pela arte, realizadas com as
crianças por Eliana e Maria Helena Andrés, que enfatizam a importância da arte
como instrumento para desenvolver o potencial criativo de crianças, jovens e
adultos.
Na segunda parte, com 32
minutos, apresentamos contribuições
relacionadas com histórias e narrativas
que envolvem a morte e o renascimento dos rios. Ela se inicia com o
vídeo de Fabricio Fernandino sobre O rio das Mortes. Mostram-se a
hidroalienação nas tentativas de matar rios urbanos (hidrocídio) por meio da poluição das águas e pelas intervenções urbanas que os enterraram vivos
debaixo do asfalto. Os projetos de Isabela Prado (Sobre o rio: Entre rios e
ruas) e aquele coordenado por Thereza Portes- Instituto Undió (Nessa rua
tem um rio), mostram que os rios se mantêm vivos na memória e ressurgem nas
intervenções artísticas. Finaliza-se com as contribuições focalizadas no renascimento dos rios urbanos
por meio da hidroconsciência, tais como
as apresentadas no projeto educativo de Silvana Gontijo(Esse Rio é Meu–
Cidades, salvem seus rios) e no livro
sobre a história do saneamento, intitulado A Epopeia do Saneamento de
Márcio Santa Rosa e Aspásia Camargo.
Ao final das apresentações há um tempo para interação, mediado
pelo vice-presidente do IMHA, João Diniz.
O evento será transmitido pelas plataformas Zoom e pelo YouTube,
operados pela equipe da UFMG.
Realização
Instituto Maria Helena Andrés
Apoio
Entre rios e ruas
Instituto Undió
Centro Cultural UFMG
Centro Especializado em arte ambiental -MHNJB- UFMG
Planetapontocom
Evento paralelo aprovado pela ONU
WATER, EDUCATION, HISTORY, ART , UN 2023 WATER CONFERENCE
Waters, Education, History and Arts
Link Zoom
and YouTube
https://us02web.zoom.us/j/84572445205?pwd=NGs1dFp2MXdvRk15ZkFMSEpOVFRZdz09
Day
20-3-2023 at 7:30 pm – Brasilia time
Side event
of the UN Conference on Water – 2023
The Maria
Helena Andrés Institute organized this side event of the UN Conference on Water
in 2023, to show the importance of artistic language as a tool to develop the creative
potential and raise awareness about WATER. We present the work of visual
artists, musicians, poets, historians, educators, architects, photographers,
videomakers and ecologists.
In the
first part, lasting 25 minutes, we group the contributions focused on the
relationship between Water and Life. We take as examples the paintings of Maria
Helena Andrés and Bax; the musical clip video Água by the group Voz &
Poesia; the book Water Speaks of Maurício and Aparecida Andrés, illustrated by
MHA; photographs of clouds, by Maurício Andrés; the songs about water and
clouds by Artur Andrés; videos by Fabricio Fernandino (Aqua) and João Diniz
(Waterfeel). We present actions carried out with children by Eliana and Maria
Helena Andrés, who emphasize the importance of art as a tool to develop the
creative potential of children, young people and adults.
In the second part, lasting 30 minutes, we
present contributions related to the death and rebirth of rivers. It begins
with Fabricio Fernandino's video about The river of Deaths. Hydroalienation is
shown in attempts to kill urban rivers (hydrocide) through water pollution and
urban interventions that buried them alive under the asphalt. The projects This
street has a river (coordinated by Thereza Portes- Instituto Undió), and the
work of Isabela Prado (Over/About the river: Between rivers and streets) show
that rivers remain alive in memory and reappear in artistic interventions. This
part ends with two contributions focused on the rebirth of urban rivers through
hydro-awareness, such as those presented in the educational project Esse Rio é
Meu by Silvana Gontijo, and in the book The Sanitation Epic, by Márcio Santa Rosa and
Aspásia Camargo.
Realization
Institute
Maria Helena Andrés
Between
rivers and streets
Undió Institute
Planetapontocom
UN approved side event
quarta-feira, 19 de outubro de 2022
MHA,CENTENÁRIA DE IPAID III
Dando continuidade ao artigo de Roberto Andrés, publicado na Revista Piauí, transcrevo o texto abaixo:
"A primeira viagem internacional da artista foi em 1961, quando recebeu um convite para visitar museus, galerias e escolas de arte nos EUA. O construtivismo ficava para trás e outras tendências se disseminavam pelo mundo das artes. O professor do curso, Theodorus Stamus, era um pesquisador da action painting – uma pintura gestual, de movimentos fortes, que ficou muito conhecida pelo trabalho do pintor Jackson Pollock.
Em seu diário dessa viagem, minha avó conta que fazia “frio abaixo de zero” nas ruas, enquanto na escola ela se deparava com uma nova dimensão da arte. Era também o período da Guerra Fria, e ela presenciou um treinamento de guerra em Nova York. As sirenes tocavam e a população tinha que se esconder no metrô. A fase gestual que desenvolveu em seguida tinha como tema a guerra. São grandes pinturas e desenhos em preto e branco, carregados e expressivos – em grande contraste com a organização e o lirismo da fase anterior. A mudança expressa também aquelas ocorridas no Brasil: do entusiasmo modernizante dos anos 1950 para a brutalidade da ditadura militar instalada a partir de 1964.
As mudanças de fase e a aposta em novas linguagens marcaram a trajetória de Maria Helena Andrés. Foram oito décadas de produção artística em que, quando uma abordagem começava a se estabelecer, ela a abandonava em prol de novos experimentos. Alguns deram mais certo do que outros, como costuma acontecer. O desapego aí presente era parte de uma postura geral – a artista doou inúmeros trabalhos para familiares e amigos, trocou quadros importantes por passagens de avião.
Com a morte precoce de seu marido, em 1977, Maria Helena intensificou sua vocação viajante. Os filhos já estavam criados, e ela passou a buscar na cultura oriental um alimento para o espírito, em um momento de trauma. A Índia tornou-se sua segunda casa. Depois de passar um ano no país, em 1977, acompanhando um filho que recebera uma bolsa de estudos, ela retornou catorze vezes. Passava longas temporadas nos ashrams, envolvida em meditações, seminários e processos de criação coletivos.
Nas minhas lembranças de infância, minha avó estava sempre chegando de alguma viagem. E emanava o frescor de ideias de quem está em constante movimento. Às vezes, chegavam também cartões postais e retratos de viagens. Outro dia encontrei entre minhas caixas uma fotografia em que ela pilota uma lambreta, com minha tia na garupa, nas ruas de Chandigarh, na Índia. Já era uma sexagenária, mas expressava um ar vibrante e jovial na fotografia.
O tripé que sustentou a vida de Maria Helena talvez tenha sido a dedicação à arte, à família e às viagens. Uma combinação que não se faz de forma trivial. Nas últimas décadas, ela assumiu com mais centralidade o papel de matriarca familiar. No Natal, presenteia com um desenho, pintura ou escultura cada descendente. E não são poucos. Em seu aniversário de 96 anos, ela cantou:
Noventa e seis,/ noventa e seis,/ hoje eu canto/
é para vocês,/ pros meus seis filhos,/ meus onze netos,/
canto também/ pros meus quinze bisnetos.
A abertura para as novidades sempre foi uma característica da artista. Muitos querem saber suas histórias antigas, e ela costuma contá-las com entusiasmo. Mas depois de um tempo ela se cansa e migra para assuntos do presente. Quer entender as novas expressões da arte, a cultura contemporânea, as tecnologias. Comprou recentemente um iPad que, mesmo tendo alguma dificuldade no uso cotidiano, carrega para todo lado. No início de 2022, aceitou a encomenda de um painel em azulejo para a parede de uma igreja. Foi pedido que a artista representasse os cinco milagres de Nossa Senhora. Depois de elaborar vários estudos, ela pintou uma tela de formato médio, que servirá de base para a reprodução do mural . E comentou em casa: “existe também o sexto milagre, que é eu fazer um painel aos 99 anos.”
Maria Helena Andrés publicou livros, foi professora e diretora da Escola Guignard, pintou e desenhou, expôs seus trabalhos mundo afora, teve momentos de sucesso e outros de atuação mais discreta. Aos 95 anos, inaugurou uma exposição de colagens, linguagem com a qual nunca havia trabalhado. Naquele mesmo ano, ela cantou, em sua festa de aniversário:
Noventa e cinco,/ noventa e cinco,/ bota mais cinco/
pra ver o que vem./ Podem apostar,/ podem duvidar,/
estou achando/ que vou chegar aos cem.
No dia 2 de agosto de 2022, ela chegou de fato aos 100 anos. A comemoração foi no sábado anterior, dia 30 de julho, com direito a missa, cortejo musical e cantoria. A data a obrigou a mudar a fórmula dos versinhos, nos quais ela celebrou também a passagem que se avizinha. Não é todo dia que alguém homenageia a partida futura. Com um sorriso no rosto e após soprar as velas do bolo, minha avó cantou assim:
Sou centenária,/ sou centenária./ Daqui a pouco serei planetária/
Cantemos juntos pra celebrar/ Toda a beleza que a vida nos dá." (Roberto Andrés)
FOTOS DE ARQUIVO
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