sábado, 8 de outubro de 2011

QUEIMADAS NO RETIRO DAS PEDRAS

Na última semana de setembro, os moradores do Retiro das Pedras participaram de um espetáculo dantesco.Viram o fogo das queimadas subindo pelo morro, a fumaça perturbando a visão, o vento soprando forte e a falta de recursos para impedir a circulação rápida das labaredas. Foi o pior incêndio que o Retiro das Pedras sofreu, desde que ali fixei minha residência há 35 anos. Já presenciei outros incêndios com o povo se unindo para ajudar. A solidariedade humana se manifesta com mais clareza nas horas em que a vida pressiona. E foi justamente a solidariedade reunindo pessoas de diferentes idades e classes sociais, que impediu um desastre maior. As chamas alcançaram 3 metros de altura, queimando árvores, animais e toda a vegetação rasteira. Agradecemos às brigadas de incêndio que atuaram com heroísmo e aos condôminos que se prontificaram a defender as residências da orla, abrindo um aceiro em torno do condomínio. No dia seguinte recebi pela internet algumas fotos da queimada e me lembrei de um quadro meu da fase de guerra, datado de 1969, muito semelhante a esta destruição pelo fogo que estamos presenciando no momento. Na realidade assistimos a uma guerra contra animais e plantas, uma destruição em massa de todas as formas de vida da região. Os animais rasteiros, alucinados pelo calor, buscavam salvação nos lugares mais seguros. Haviam cobras perdidas na Praça do Sol e pássaros assustados nas árvores das residências. A paisagem se cobriu de cinzas e os moradores se uniram para providenciar medidas mais seguras.
O fogo devastou 1 milhão de metros quadrados de vegetação. Fortes ventos e topografia íngreme contribuíram para o avanço das chamas em várias direções. No Brasil assistimos todos os anos, queimadas acontecendo na época da seca, assim como inundações na época das chuvas.
Em Brasília uma grande área de preservação foi totalmente destruída pelo fogo, sem possibilidade de recuperação de documentos e estudos. Em Betim, próximo a BH, o fogo destruiu também grande parte de uma área de preservação matando plantas e animais.
Este é o grande tributo que estamos pagando pelos erros que nós mesmos praticamos no decorrer de muitos anos.
*Fotos da internet
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terça-feira, 20 de setembro de 2011

O ZEN E A ARTE DE VIAJAR

"O Zen e a arte de viajar”, foi tema de uma palestra no Centro de Budismo Ocidental, em Kathmandu, no Nepal.

Sentados no chão, vinte alunos ocidentais vindos da Europa, da Austrália, dos Estados Unidos e do Brasil escutavam atentos as explicações do jovem instrutor.

“Somos todos viajantes, estamos aprendendo na grande universidade da vida, sem currículos e diplomas. Viajar é um grande aprendizado. A viagem nos possibilita a vivência do agora, o desapego e a aceitação das mudanças da vida. Somos viajantes e temos que nos submeter às diferenças climáticas e culturais, também aos espaços sem conforto”.

- “As mudanças são necessárias para o nosso crescimento”, nos diz o jovem inglês. A partir das mudanças externas, uma outra viagem descortina-se para nós, a viagem para dentro de nós mesmos. Viajar com disposição de aprender acelera o nosso processo de auto-conhecimento. Em busca do Conhecimento, os sábios antigos andavam a pé pelo país, peregrinando de cidade em cidade.

Só o fato de sair da rotina coloca-nos mais atentos ao momento presente, ao novo que surge a cada instante. Compreender a impermanência é um aprendizado de vida. Quando estamos viajando mudamos de cenário a cada momento e isso nos ajuda a aceitar a impermanência física, psicológica e mental. As coisas que aconteceram ontem não existem mais, cada minuto que passa desaparece no vazio.

Viajar é bom para auto-descoberta. Ficamos sabendo como somos quando arrumamos nossas malas. Quanto maior for a nossa bagagem, maior é a nossa insegurança. Queremos levar tudo, carregar a proteção nas costas e cruzar o rio da vida com nossos pertences. São eles, roupas, sapatos, compras, livros, remédios... Eu observava o despojamento das pessoas em torno e ficava admirada.

- “Mas, a sua bagagem é só isso? Um cobre leito, dois vestidos e uma sandália?”

Ali não havia preocupação com o consumo. As pessoas querem aprender a viver e a conscientizar-se da vida, sem ilusão de acumular coisas. O despojamento traz sempre grande liberdade. A simplicidade é a tônica. O não consumismo é a grande sabedoria.


*Fotos da internet