terça-feira, 4 de junho de 2013

JOAQUIM PEDRO NA ÍNDIA

Acrescento o depoimento de Joaquim Pedro, meu neto, que em 2007 esteve na Índia:
Apenas uma pequena nota para dizer que, para os que querem uma experiência única de conhecer uma cultura totalmente diferente da nossa, a Índia é um prato cheio. Uma viagem que começa com o choque inicial da precariedade e do caos indiano aos poucos se transforma numa apreciação profunda dessa cultura rica e milenar. A Índia não permite julgamentos rasos, e a viagem é para os que têm mente aberta e estomago forte.
Ao contrario da China, que impressiona e assusta logo no primeiro instante, a Índia é descoberta aos poucos e a admiração cresce com a profundidade do conhecimento. Os contrastes são enormes - das cores do Rajastão ao safari  urbano de Delhi, dos ashrams de Rishikesh à hospitalidade portuguesa de Goa,  da modernidade de Bangalore e Bombaim à cultura milenar de Varanasi. Palácios  se misturam com favelas. Vacas, elefantes, macacos e camelos se misturam com  gente. O espetáculo do crescimento - que aqui realmente acontece - contrasta com a miséria vista a olhos nus.
O constante é mesmo o povo indiano, sempre gentil, cordial, simpático, e  atencioso. A pobreza econômica pior que a brasileira e sempre acompanhada  da nobreza de espírito. Não há espaços para violência e a convivência  pacífica com outros e com a natureza é um hábito solidificado. O indiano nos recebe como irmãos, nos acolhe e nos ensina. Temos muito que aprender com eles.
 Delhi

As primeiras impressões aqui tem sido de muita gente, muita pobreza e muita confusão. Ontem fizemos um passeio por Old Delhi, entre becos, lojinhas e macacos no topo dos prédios. Deixa a Rocinha no chinelo em termos de pobreza e precariedade. Isso para não falar nos elefantes, camelos e vacas nas ruas.
Ontem também fomos ao monumento a Gandhi e à mesquita local. As tradições hindus, muçulmanas, sikhs se misturam. Fomos também a um palácio parecido com o Taj Mahal que veremos, dentro de dois dias, em Agra.

Aqui as coisas na área de educação funcionam bem diferente. A maior discrepância é o foco enorme deles em tecnologia que é mesmo o motor de empregabilidade do país. Custo barato, alta especialização, bons salários.
 Dê uma olhada no www.niit.com, maior companhia de treinamento de Tecnologia da Informação- TI do país.

*Fotos de Joaquim Pedro Andrés e Maurício Andrés.

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sexta-feira, 24 de maio de 2013


INHOTIM NO PANORAMA INTERNACIONAL

   Neste blog dedicado às viagens recebi a colaboração do Doutor Cid Velloso, que tem realizado inúmeras viagens pelo mundo, sempre observando museus e anotando diversos aspectos da Arte Contemporânea.

“Em janeiro passado, fui à Ilha da Madeira e Portugal, tendo visitado alguns museus e jardins botânicos. Insensivelmente, não pude deixar de fazer um paralelo com o INHOTIM, por ser uma referência que conheço.
Na Ilha da Madeira, visitei o Jardim Botânico: uma área de grande extensão, com inúmeras espécies de árvores (inclusive muitas palmeiras), plantas, flores e folhagens, bem classificadas, situadas em uma região montanhosa da Ilha. O nome Madeira foi aplicado à Ilha, ao ser povoada pelos portugueses, por causa das imensas florestas que possuía, daí a importância e o acervo do Jardim. Não pude deixar de lembrar que o INHOTIM é mais bonito, com ajardinamento mais artístico e com mais espécies de palmeiras.
Na estrada de Lisboa para Óbidos, há um desvio para Carvalhal, onde existe o Jardim da Paz Buddha, criado pelo grande produtor de vinhos José Berardo: é uma imensa área rural, com inúmeras estátuas de Buda feitas de granito, mármore e terracota, tendo também uma réplica de parte dos guerreiros de Xi´an (China) e uma pequena réplica das rochas de Stonehenge (Reino Unido). No início do Jardim, está sendo montado um setor de arte contemporânea a céu aberto, com cerca de 10 estruturas de arte de grande porte, muitas ainda sem placas de identificação; identifiquei obras típicas de Alexander Calder, Louise Bourgeois e Botero. A área dos Budas é bem organizada e com muitas peças, mas torna-se monótona por abordar apenas um tema e o setor de arte contemporânea ainda está em fase de montagem, com poucas obras. Evidentemente, o INHOTIM tem um acervo muito maior e mais diversificado.
Em Lisboa, visitei o Museu de Arte Contemporânea no Centro Cultural de Belém, montado pelo mesmo empresário José Berardo. Excelente e numeroso acervo, destacando Donald Judd, Anish Kapoor, Sol LeWitt, Robert Mangold, Manuel Ocampo, Orozco, Richard Serra, Frank Stella, James Turrel, além de Giusepe Penone e Adriana Varejão (esses últimos também expositores no INHOTIM). Na entrada do Museu, uma excelente exposição especial transitória do Hélio Oiticica, muito visitada; na entrada da exposição, um vídeo mostrava a instalação Magic Square do Oiticica no INHOTIM.
Em maio do ano passado, em Paris, visitei o Musée de la Sculpture em Plein Air, na beira do rio Sena, próximo da Gare d´Austerlitz. São dezenas de esculturas de arte contemporânea ao ar livre, de autores pouco conhecidos por mim: Liuba Kirova, Liberáki, Michael Noble, Cardenas, Sklavos, Olivier Brice, Micha Laury, Zadkine, Patkai, Stahly, entre outros, sendo apenas Brancusi o que identifiquei. Muito interessante, especialmente na bela região à margem do Sena. INHOTIM  tem um acervo muito maior, de melhor qualidade e de artistas mais consagrados.
Em 2005, eu e Roseni visitamos Storm King Art Center,  situado a 90 km. ao norte da cidade de Nova York. Montado em 1960 em uma área imensa, possui esculturas de grande porte espalhadas ao ar livre, fazendo-se a visita em um trenzinho. Obras de Alexander Calder, David Smith, Mark Suvero, Henry Moore, Noguchi, Richard Serra, Louise Nevelson,  Andy Goldsworthy, Roy Lichtenstein, Alexander Liberman, entre outros. Um grande e excelente centro de arte, mas sem nenhuma abordagem do setor botânico; tivemos um problema: como passamos o dia na área, procuramos um local para tomar uma refeição, não encontrando nenhuma lanchonete ou restaurante, apesar de ser um local de turismo regular. O acervo de arte contemporânea pode ser comparado ao INHOTIM, mas a falta de um jardim botânico em torno e a falta de uma estrutura turística adequada foram pontos falhos no Storm King.
Não são muitos modelos similares ao INHOTIM visitados por mim, mas já é possível vislumbrar que nosso centro de arte assume uma categoria internacional de qualidade, organização e competência.” Cid Velloso)

*Fotos da internet

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quarta-feira, 8 de maio de 2013


O GRIVO, ARTEFATOS DE SOM


Chegamos a uma sala enorme, circular, com vários cilindros de água, em tamanhos variados, cada um emitindo um som diferente. Ali as águas choravam e gemiam, motivadas pela escassez de água que já ameaça afligir o planeta. Escassez e enchentes, a água está rolando, provocando tragédias.  Ninguém percebe que a água é viva e é dela que depende nossa vida no planeta. A água tem sido a grande preocupação dos ecologistas, e naquela exposição, ela emitia seus sons, criando música. Fiquei muito tempo ouvindo a música das águas, com os fones de ouvido. As pessoas passavam, olhavam , iam embora, mas eu me sentia bem com aquela música da natureza, vinda de dentro de cilindros de vidro, onde uma gota d’água ia pingando e mudando as notas. Não sei quanto tempo ali fiquei sentada, ouvindo aquela música vinda do gemido das águas, só sei que entrei ali muito cansada e sai relaxada.
O grupo “Grivo” é criativo, sempre inventando uma coisa diferente. A Arte Contemporânea permite esta diversidade e a exposição deste grupo de Minas é um exemplo.
Fui ver as outras salas, onde um violão tocava música sozinho e também aquela engrenagem de muitas rodinhas, todas vibrando como o presépio de Pipiripau.  Fui conduzida às memórias de infância, aos brinquedos de criança que papai nos trazia do Rio de Janeiro com rodinhas se movimentando. Agora, na mesma avenida Afonso Pena, onde morávamos na infância, volto para apreciar na Oi Futuro as invenções deste grupo de artistas. Relembro Paulo, meu irmão e suas criações neste campo do lúdico. Acho que a minha admiração pela arte e tecnologia vem dos meus tempos de criança e de minha admiração pelas invenções de meu irmão. Arte e tecnologia, arte e ciência, estão sendo estimuladas agora na Arte Contemporânea. Revivendo o passado, sentindo o presente e sonhando com o futuro, é o que estou podendo fazer neste momento.

*Fotos de Elena Andrés Valle

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