sexta-feira, 3 de janeiro de 2014


A ARTE SUBIU AS FAVELAS

A arte há muito tempo subiu os morros do Rio de Janeiro e foi divulgada pelo mundo todo como bandeira, consagrada nos versos de Noel Rosa e nos eventos carnavalescos de Hélio Oiticica.
Em outro artigo deste blog, abordamos a espetacular apresentação da Dança das Marés, uma experiência de grande sucesso com os adolescentes moradores da Favela da Maré, no Rio de Janeiro, realizada pelo coreógrafo Ivaldo Bertazzo.
Agora, uma nova experiência está sendo feita na maior favela do Brasil, a Rocinha, situada no cenário maravilhoso entre São Conrado e a Gávea. Sua localização próxima a hotéis de cinco estrelas desperta receio e, ao mesmo tempo, grande curiosidade entre os turistas que ali chegam desejosos de aprender algo novo, no Brasil. Visitar as favelas faz parte da programação turística da cidade.
Agora, a arte na educação está sendo implantada na Rocinha com a fundação do Ginásio Experimental de Novas Tecnologias Educacionais denominado GENTE,  instalado na Escola Municipal Andre Urani. Seu objetivo é conceber um novo modelo de escola.
Essa experiência me fez lembrar as escolas de Sri Aurobindo, em Pondicherry e em Auroville, no sul da Índia, apoiadas pela UNESCO. Ali também o aluno tem atendimento personalizado, de acordo com sua vocação. O professor deixa de ser um transmissor de conhecimentos para ser um facilitador, um motivador, um arquiteto da aprendizagem. Sri Aurobindo dizia que  toda criança é uma alma em evolução, que o ser humano é um ser em transição e que o objetivo da educação é preparar a consciência do homem do futuro.
Minha neta Alice Andrés Ribeiro  me enviou informações sobre a experiência nova do projeto Gente, que estão no site do projeto (gente.rioeduca.net): 
“O GENTE é a concepção de um novo modelo de escola que se apropria integralmente de novas tecnologias educacionais, coloca o aluno no centro do processo de aprendizagem e pode ganhar escala.” Isso significa que pode ser multiplicada em outras escolas.
“Os principais pilares da proposta são: Ensino personalizado, Projetos Transdisciplinares, Avaliação baseada em competências, Uso de Tecnologia Digital e um Currículo Expandido. .. O objetivo do Projeto GENTE é repensar o que é a instituição Escola. A proposta é mudar o conteúdo, o método e a gestão: não haverá turmas, anos ou salas de aula. Tablets e smartphones farão parte do material escolar dos alunos e docentes. O conteúdo, as habilidades e as competências serão desenvolvidos nas aulas digitais da Educopédia, plataforma que inclui material de suporte para professores, como sequências didáticas com jogos digitais, vídeos e testes. As provas serão aplicadas por meio do sistema avaliativo Máquina de Testes e a correção será automática, com resultados imediatos.”
“A finalidade de implementar as novas tecnologias em conjunto com esta nova metodologia de ensino é tornar os alunos cidadãos autônomos, solidários e competentes que desenvolverão habilidades essenciais para um mundo em constante transformação, tais como: buscar, analisar e avaliar informações e fontes; solucionar problemas e tomar decisões; e utilizar de forma criativa as ferramentas de produtividade. O projeto piloto na Escola Municipal André Urani terá o período de um ano e passará por um processo de sistematização e avaliação. A ideia é fazer com que o GENTE ganhe escala ao longo dos anos.”

Para saber mais sobre o GENTE, basta clicar no link para o site gente.rioeduca.net e para o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=qQB86tq6Wec

Fotos da galeria do site

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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013


DANÇA DAS MARÉS

A arte, num reencontro feliz de ética com estética, busca a reeducação do ser humano nos diversos setores da sociedade. Escolhe os menos favorecidos como ponto de referência e alarga os seus horizontes para dimensões maiores. Busca os espaços onde a violência é uma constante, ali levanta o seu estandarte de paz. Exemplo disto é o espetáculo de dança e música dirigido pelo coreógrafo paulista Ivaldo Bertazzo. Ele foi apresentado no SESC Tijuca, no Rio de Janeiro em parceria com o grupo UAKTI de Belo Horizonte.
A Dança das Marés foi inspirada na dança Kathakali, original do estado de Kerala, no sul da Índia. Ivaldo Bertazzo é estudioso da filosofia da Índia e de lá trouxe inspiração para essa coreografia. Na Índia, as apresentações de dança são acompanhadas ao vivo por um conjunto musical. Para esse projeto foram convidados dois mestres músicos da Índia a fim de orientar os jovens: um tocador de tabla e uma dançarina indiana de Kathakali, que permaneceram dois meses no Brasil. A dança da Índia expressa simbolicamente o desejo da alma individual de alcançar a Unidade com o infinito, ou a alma do Universo. Através da música e da dança, esse objetivo é alcançado e o estado de Ananda, ou Bem-aventurança, vivenciado pelo dançarino ou o musico, é transmitido à platéia.
No SESC Tijuca foi armado um palco semicircular, todo em tons de terra. O público, assentado nas arquibancadas, estava também dentro do imenso palco. Um tapete esticado no chão dava passagem para o público que subia os degraus da arquibancada, lotando o anfiteatro. Observamos o espaço, a sobriedade de recursos usada pelo cenógrafo, a iluminação e o núcleo reservado aos músicos, com os instrumentos do grupo UAKTI arranjados como uma instalação. No centro do palco, uma bola dourada se mantinha suspensa por um cordão de aço, como um enorme pêndulo reluzente. A dança seguia o ritmo dos tambores e flautas, harmonizando os passos com os sons dos instrumentos criados com tubos e marimbas. A Dança das Marés, com seus jovens componentes que moravam na favela da Maré, no Rio de Janeiro, nos fazia refletir sobre o papel da arte neste princípio de milênio.
A função da arte em sua essência é a transformação do ser humano. Essa transformação é obtida no próprio exercício da arte, no movimento que conduz o corpo de forma harmoniosa ao encontro de seu próprio self. Os iogues se tornam um com o universo através da meditação. Os músicos e dançarinos também realizam essa união, conjugando o movimento do corpo com a vibração do som. O encontro do Oriente com o Ocidente, que veio se processando de forma acelerada no final do século XX, tem agora a grande possibilidade de realizar a síntese planetária.
Fotos da internet

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