Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
sábado, 18 de janeiro de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
A ARTE SUBIU AS FAVELAS
A arte há muito tempo subiu os morros do Rio de
Janeiro e foi divulgada pelo mundo todo como bandeira, consagrada nos versos de
Noel Rosa e nos eventos carnavalescos de Hélio Oiticica.
Em outro artigo deste blog, abordamos a espetacular
apresentação da Dança das Marés, uma experiência de grande sucesso com os
adolescentes moradores da Favela da Maré, no Rio de Janeiro, realizada pelo
coreógrafo Ivaldo Bertazzo.
Agora, uma nova experiência está sendo feita na
maior favela do Brasil, a Rocinha, situada no cenário maravilhoso entre São
Conrado e a Gávea. Sua localização próxima a hotéis de cinco estrelas desperta
receio e, ao mesmo tempo, grande curiosidade entre os turistas que ali chegam desejosos
de aprender algo novo, no Brasil. Visitar as favelas faz parte da programação
turística da cidade.
Agora, a arte na educação está sendo implantada na
Rocinha com a fundação do Ginásio Experimental de Novas Tecnologias
Educacionais denominado GENTE, instalado
na Escola Municipal Andre Urani. Seu objetivo é conceber um novo modelo de
escola.
Essa experiência me fez lembrar as escolas de Sri
Aurobindo, em Pondicherry e em Auroville, no sul da Índia, apoiadas pela
UNESCO. Ali também o aluno tem atendimento personalizado, de acordo com sua
vocação. O professor deixa de ser um transmissor de conhecimentos para ser um
facilitador, um motivador, um arquiteto da aprendizagem. Sri Aurobindo dizia
que toda criança é uma alma em evolução,
que o ser humano é um ser em transição e que o objetivo da educação é preparar
a consciência do homem do futuro.
Minha neta Alice Andrés Ribeiro me enviou informações sobre a experiência
nova do projeto Gente, que estão no site do projeto (gente.rioeduca.net):
“O GENTE é a concepção de um novo modelo de
escola que se apropria integralmente de novas tecnologias educacionais, coloca
o aluno no centro do processo de aprendizagem e pode ganhar escala.” Isso
significa que pode ser multiplicada em outras escolas.
“Os principais pilares da proposta são:
Ensino personalizado, Projetos Transdisciplinares, Avaliação baseada em
competências, Uso de Tecnologia Digital e um Currículo Expandido. .. O objetivo
do Projeto GENTE é repensar o que é a instituição Escola. A proposta é mudar o conteúdo, o método e a
gestão: não haverá turmas, anos ou salas de aula. Tablets e smartphones farão
parte do material escolar dos alunos e docentes. O conteúdo, as habilidades e
as competências serão desenvolvidos nas aulas digitais da Educopédia,
plataforma que inclui material de suporte para professores, como sequências
didáticas com jogos digitais, vídeos e testes. As provas serão aplicadas por
meio do sistema avaliativo Máquina de Testes e a correção será automática, com
resultados imediatos.”
“A finalidade de implementar as novas
tecnologias em conjunto com esta nova metodologia de ensino é tornar os alunos
cidadãos autônomos, solidários e competentes que desenvolverão habilidades
essenciais para um mundo em constante transformação, tais como: buscar,
analisar e avaliar informações e fontes; solucionar problemas e tomar decisões;
e utilizar de forma criativa as ferramentas de produtividade. O projeto piloto na Escola Municipal André
Urani terá o período de um ano e passará por um processo de sistematização e
avaliação. A ideia é fazer com que o GENTE ganhe escala ao longo dos anos.”
Para saber mais sobre o GENTE, basta clicar no link para o site gente.rioeduca.net e para o
vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=qQB86tq6Wec
Fotos
da galeria do site
VISITE
TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MINHA VIDA DE ARTISTA”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
DANÇA DAS MARÉS
A arte, num
reencontro feliz de ética com estética, busca a reeducação do ser humano nos
diversos setores da sociedade. Escolhe os menos favorecidos como ponto de
referência e alarga os seus horizontes para dimensões maiores. Busca os espaços
onde a violência é uma constante, ali levanta o seu estandarte de paz. Exemplo
disto é o espetáculo de dança e música dirigido pelo coreógrafo paulista Ivaldo
Bertazzo. Ele foi apresentado no SESC Tijuca, no Rio de Janeiro em parceria com
o grupo UAKTI de Belo Horizonte.
A Dança das Marés foi inspirada na dança Kathakali, original do estado de Kerala, no sul da Índia. Ivaldo Bertazzo é estudioso da filosofia da Índia e de lá trouxe inspiração para essa coreografia. Na Índia, as apresentações de dança são acompanhadas ao vivo por um conjunto musical. Para esse projeto foram convidados dois mestres músicos da Índia a fim de orientar os jovens: um tocador de tabla e uma dançarina indiana de Kathakali, que permaneceram dois meses no Brasil. A dança da Índia expressa simbolicamente o desejo da alma individual de alcançar a Unidade com o infinito, ou a alma do Universo. Através da música e da dança, esse objetivo é alcançado e o estado de Ananda, ou Bem-aventurança, vivenciado pelo dançarino ou o musico, é transmitido à platéia.
No SESC Tijuca foi armado um palco semicircular, todo em tons de terra. O público, assentado nas arquibancadas, estava também dentro do imenso palco. Um tapete esticado no chão dava passagem para o público que subia os degraus da arquibancada, lotando o anfiteatro. Observamos o espaço, a sobriedade de recursos usada pelo cenógrafo, a iluminação e o núcleo reservado aos músicos, com os instrumentos do grupo UAKTI arranjados como uma instalação. No centro do palco, uma bola dourada se mantinha suspensa por um cordão de aço, como um enorme pêndulo reluzente. A dança seguia o ritmo dos tambores e flautas, harmonizando os passos com os sons dos instrumentos criados com tubos e marimbas. A Dança das Marés, com seus jovens componentes que moravam na favela da Maré, no Rio de Janeiro, nos fazia refletir sobre o papel da arte neste princípio de milênio.
A função da arte em sua essência é a transformação do ser humano. Essa transformação é obtida no próprio exercício da arte, no movimento que conduz o corpo de forma harmoniosa ao encontro de seu próprio self. Os iogues se tornam um com o universo através da meditação. Os músicos e dançarinos também realizam essa união, conjugando o movimento do corpo com a vibração do som. O encontro do Oriente com o Ocidente, que veio se processando de forma acelerada no final do século XX, tem agora a grande possibilidade de realizar a síntese planetária.
A Dança das Marés foi inspirada na dança Kathakali, original do estado de Kerala, no sul da Índia. Ivaldo Bertazzo é estudioso da filosofia da Índia e de lá trouxe inspiração para essa coreografia. Na Índia, as apresentações de dança são acompanhadas ao vivo por um conjunto musical. Para esse projeto foram convidados dois mestres músicos da Índia a fim de orientar os jovens: um tocador de tabla e uma dançarina indiana de Kathakali, que permaneceram dois meses no Brasil. A dança da Índia expressa simbolicamente o desejo da alma individual de alcançar a Unidade com o infinito, ou a alma do Universo. Através da música e da dança, esse objetivo é alcançado e o estado de Ananda, ou Bem-aventurança, vivenciado pelo dançarino ou o musico, é transmitido à platéia.
No SESC Tijuca foi armado um palco semicircular, todo em tons de terra. O público, assentado nas arquibancadas, estava também dentro do imenso palco. Um tapete esticado no chão dava passagem para o público que subia os degraus da arquibancada, lotando o anfiteatro. Observamos o espaço, a sobriedade de recursos usada pelo cenógrafo, a iluminação e o núcleo reservado aos músicos, com os instrumentos do grupo UAKTI arranjados como uma instalação. No centro do palco, uma bola dourada se mantinha suspensa por um cordão de aço, como um enorme pêndulo reluzente. A dança seguia o ritmo dos tambores e flautas, harmonizando os passos com os sons dos instrumentos criados com tubos e marimbas. A Dança das Marés, com seus jovens componentes que moravam na favela da Maré, no Rio de Janeiro, nos fazia refletir sobre o papel da arte neste princípio de milênio.
A função da arte em sua essência é a transformação do ser humano. Essa transformação é obtida no próprio exercício da arte, no movimento que conduz o corpo de forma harmoniosa ao encontro de seu próprio self. Os iogues se tornam um com o universo através da meditação. Os músicos e dançarinos também realizam essa união, conjugando o movimento do corpo com a vibração do som. O encontro do Oriente com o Ocidente, que veio se processando de forma acelerada no final do século XX, tem agora a grande possibilidade de realizar a síntese planetária.
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