Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
A CRIAÇÃO DO LIVRO “PEPEDRO NOS CAMINHOS DA ÍNDIA”
Índia, 1978
Às vezes me lembro de
coisas que se passaram na Índia, quando da minha primeira viagem em 1978.
Eu viajava com pouco
dinheiro, não podia pagar hotéis caros e também não queria ficar em hotéis
baratos que não têm o conforto necessário para a gente se sentir bem.
Foi quando minha amiga Dominique, casada com o Dr. Radhakrishnan, do
Raman Research Institute, me indicou uma comunidade de irmãs cristãs na rua
Infantry Road. Lembro-me das acomodações para hóspedes em pequenos chalés
distribuídos por um jardim todo florido e bem cuidado. As acomodações eram
simples e as irmãs me receberam com muito carinho. Pagava pouco, uma diária de
3 dólares por dia com direito a uma alimentação indiana bem apimentada. Podia
fazer as refeições ou comer fora, se quisesse. A única exigência era cantar uma
página da Bíblia na capela da comunidade e eu, que gosto de cantar, entoava o canto
com elas.
Quando as irmãs
souberam que eu precisava de um espaço adequado para ilustrar um livro infantil
sobre a Índia, abriram para mim todo o andar superior, reservado aos hóspedes
de congressos. Eu podia escolher qualquer quarto para ilustrar o livro do Pepedro,
ficava sozinha naquele imenso salão, levava o meu aparelho cassete e podia até
ouvir música e dançar.
O livro do Pepedro
começou ali, à sombra das árvores. As irmãs cediam as empregadas para servirem
de modelo para a artista brasileira que ali estava. Algumas páginas ilustram os diversos personagens
da comunidade.
Ali fiquei três meses
desenhando, escrevendo e também visitando museus e escolas da cidade de
Bangalore. Aprendi muito com essa simplicidade voluntária, que me trazia
tranquilidade e paz.
As irmãs me emprestavam
jornais para que eu copiasse os diversos dialetos e dali tirasse ideias para
uma mandala só de escrita indiana.
Decorridos três meses
eu tinha de sair da Índia, e escolhi o Nepal para me abrigar. Em Katmandu o
livro do Pepedro teve a sua fase final, inspirado nos Himalaias e na sabedoria
dos lamas tibetanos. Também em Katmandu, o hotel Shakti me oferecia momentos de
silêncio e meditação para produzir meu trabalho de arte. Abria as janelas e via
as crianças brincando na rua, o que me fazia lembrar o pequeno Pepedro, Joaquim
Pedro, meu neto, que ficara na Índia. O registro dessas experiências está nas
ilustrações do livro “Pepedro nos caminhos da Índia” de autoria de minha nora
Aparecida Andrés.
Todas as coisas têm sua
história e seu momento, e todas elas passam debaixo dos céus...
*Fotos de arquivo
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quinta-feira, 3 de setembro de 2015
ESCOLA DOS OLHOS PERFEITOS
Encontrei entre os meus guardados essa carta para os meus filhos quando estava na Índia. Resolvi divulgá-la, porque tem informações importantes.
O nome do lugar: “School of
the perfect eye”. Em português: “Escola
dos olhos perfeitos”.
Sim,
o olho é uma coisa que precisa ser perfeita. Há tanto o que se ver no mundo e,
com o olho imperfeito, a gente começa a ver tudo sem colorido, meio embaçado.
Assim estava eu. Entrei na tal escola em Pondicherry. Estou fazendo um curso de
relax nos olhos. Já ouvira falar a respeito. A gente fecha os olhos, balança o
corpo feito relógio, encarando o sol da manhã com as pálpebras cerradas. Depois
colocam algo meio amarelado dentro dos olhos, retirado do mel das abelhas.
Colocam a gente recebendo vapor e piscando sem parar. Depois,
relax com os olhos umedecidos por compressas durante 10 minutos.
O
mundo está mudando, ficando tecnicolor... Como as árvores de Pondicherry são
verdes e o mar colorido! Saí sorrindo de lá, achando tudo bonito. Também meus
olhos estavam tensos há tanto tempo! Não conseguia relaxá-los. Estou usando os
mesmos óculos do Dr. Hilton mas, depois da morte do Luiz e das tensões e dos
choques seguidos, passei a ver o mundo quase em preto e branco, por dentro e
por fora. Agora, com este tratamento, mudei de televisão. Faz gosto olhar o
mundo com olhos relaxados, é outra coisa. Há gente nesta escola que faz treino
para tirar definitivamente os óculos. Pedi muito para não modificar o grau dos
meus, para não ter problemas. Quero conservar meus óculos, mas ver tudo mais
bonito... Estou começando agora, talvez volte aqui para continuar o tratamento.
Vale a pena.
Lembro
de uma trova que a mamãe ensinava para a gente: “Quem sofrer dos olhos, comer
formiga aos molhos...”
Aqui
não é formiga não, é relax e mel de abelhas.
Abraços,
Helena”
*Fotos da internet
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terça-feira, 1 de setembro de 2015
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