Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
PERU -MACHU PICCHU
Este planeta tão pequeno, despertando debaixo do
mesmo sol, faz produzir na terra a mesma vegetação. Olhando pela janela do trem
que nos leva a Machu Picchu, vejo a cidade em baixo, cercada de montanhas, e a
vegetação rasteira, nativa, produzindo as mesmas flores amarelas do Retiro das
Pedras, lírios, palmas e até a famosa cicuta, erva daninha tão perigosa desde
os tempos de Sócrates.
Ao longo da estrada, as casas de adobe servem de
moradia para o povo do campo e pode-se ver o barro amassado em cubos e
recoberto de grama para secar.
Montanhas surgem, cobertas de neve, no meio do verde
e do céu azul, enquanto o trem vai seguindo num vai e vem, descendo a montanha.
Machu Picchu e Anapicchu são duas pedreiras,
semelhantes ao nosso Pão de Açúcar. A maior delas, Machu Picchu, simbolizava “o
mais velho gerando sabedoria” e a menor, Anapicchu, “o mais jovem, doando
energia”.
URUBAMBA
Vale sagrado dos Incas, é um rio que desemboca no
Amazonas, com patamares recobertos com húmus, vindos de outros planos.
O rio de águas barrentas segue os acidentes do
caminho. O trem acompanha o rio entre a monumentalidade das montanhas. Pequenos
veios de água, riachos, pedras, cactos, pitas, acácias, formam o tapete natural
de flores que acompanham o caminho do rio. Há musgos diferentes, nunca vistos,
descendo as montanhas, eucaliptos plantados pelo homem, torres elétricas
levando o progresso.
Ao redor das cidades existem aldeias autossuficientes
que plantam batata, cevada, lentilha, mostarda, milho etc. As casas de adobe se
distribuem pelas áreas de terra recortadas geometricamente, como as fazendas
europeias. Aqui o dinheiro não é necessário para as primeiras necessidades,
pois vivem de trocas.
OLANTAITAMBO
Lugar sagrado dos Incas, foi construído com grande
sentido estratégico, como uma fortificação. Hoje é um dos lugares mais
conhecidos pelos turistas. Dois teares enormes e os tecelões trabalhando, pai,
mãe e filhos no mesmo ofício. Fazem cenas típicas do Peru.
TEMPLO DO SOL
Os incas tinham uma visão cósmica, adoravam e
rendiam culto ao sol, à lua e às estrelas, ao arco íris, trovão e relâmpago.
Chamavam a terra de mãe – Pachamamma - e
prestavam culto à terra, à água e aos animais. Havia em cada mês do ano
homenagens a um diferente deus. O calendário tinha 12 meses e 365 dias. Em
julho havia uma grande festa especial em homenagem ao deus Sol.
OBELISCO TELLO
Pertence aos períodos mais antigos de Chavin, 1000
a.C., e representa uma divindade complexa, conectada com a terra, a água e
todos os elementos vivos da natureza. Em seu corpo existem homens, aves,
serpentes, felinos etc; e o monstro divino deles se alimenta.
Esse obelisco tem semelhanças com os desenhos
encontrados nos vasos chineses.
DANÇAS PERUANAS
Conhecemos no Hotel Bolívar, em Lima, um empresário de um grupo folclórico de danças do Peru.
Segundo ele, existem 3000 danças folclóricas diferentes no Peru. As roupas
lembram o Nepal e se assemelham às danças dos cossacos russos.
*Ilustrações de Maria Helena Andrés
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terça-feira, 1 de dezembro de 2015
PERU - CUSCO
A cordilheira dos Andes, assim como os Himalaias, é
considerada montanha sagrada pelos antigos habitantes da Terra. Buscando uma
comparação entre os Andes e os Himalaias, entre o Ocidente e o Oriente,
interessei-me em conhecer o Peru, onde está localizado Machu Picchu. Estive no
Peru em 1983, ocasião em que estava escrevendo o livro “Oriente-Ocidente,
integração de Culturas.” Das anotações feitas no local realizei várias ilustrações
para os textos que transcrevo abaixo:
“Existe um elo que une povos percorrendo gerações e
se fazendo manifestar no tempo e no espaço. Estamos em Cusco, no alto dos
Andes. As montanhas recortadas e sujeitas a movimentos sísmicos nos trazem
lembranças do passado. A história é povoada de lutas e conquistas, sempre o
mais forte sufocando o mais fraco. O domínio dos Incas se estendeu pela orla
costeira de Norte a Sul, num espaço de terra que dava abertura para os quatro
pontos cardeais.
Parte da Amazônia pertence ao Peru e até hoje, nas
festas populares, os índios dançam com máscaras e cocares coloridos. A ligação
da Amazônia com o Peru vem de longa data, alguns historiadores afirmam que os povos vieram das selvas para as
regiões mais altas, outros acreditam que a Amazônia já foi o Paraíso terrestre.
Se quisermos esboçar um estudo comparativo entre as
cidades mineiras e Cusco, podemos ver no primeiro instante a semelhança topográfica, devido à localização
no alto das montanhas.
Cusco está situada aos pés de uma montanha, como as
cidades históricas de Minas Gerais. Em Minas, as cidades acompanharam a busca
de riquezas, o garimpo abrindo novos caminhos pela terra virgem. Em Cusco, os
conquistadores encontraram uma civilização já organizada, com palácios,
fortalezas e templos, uma cidade em forma de pantera, estruturada na pedra. As construções tipicamente espanholas
ergueram-se sobre as ruínas dos templos e palácios, proporcionando uma fusão de
culturas desde os primeiros tempos da colonização.
Estamos em Cusco justamente no dia em que o papa João
Paulo II está em visita ao Peru.
Com a chegada do Papa, estamos vendo danças
folclóricas nas ruas, gente dos arredores, a cidade e o campo reunidos – parece
um carnaval. Mascarados dançando na praça das armas e a multidão reunida.
Mulheres pequenas, vestindo mil saias umas sobre as outras, chapéu de homem e
sapatos também masculinos.
Uma mistura de Rajastão na Índia, com Nepal e Tibet,
um frio nepalense, 3.500 metros acima do
nível do mar.
Tenho andado devagar, para não cansar. Amanhã iremos
a Machu Picchu, hoje à tarde um tour pelos arredores”. (Textos extraídos de
anotações de viagem, 1983)
*Ilustrações de Maria Helena Andrés
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