segunda-feira, 2 de maio de 2016


MEDITAÇÕES NA ÍNDIA I

Meditação I

A grama verde se estende a perder de vista. Pessoas relaxando, o dia acabando. Alguns fazem yoga. Ontem no curso de contemplação, sugeriram-me fazer um diário.
O diário começou com a minha própria vida. Tudo está relacionado. Tenho 70 anos e preciso subir 70 degraus para chegar ao meu quarto. Estou alojada no terraço do Anapurna e à noite, as estrelas brilham no chão de mármore branco.
Quando me levanto para ir ao banheiro, vou pisando sobre as estrelas e só isto me faz relaxar. Agora relaxo também olhando a grama em frente.
Hoje, quando estava no 60° degrau, pensei comigo mesma no que estava fazendo quando tinha 60 anos. Devia estar exatamente subindo esta escada e parando para descansar enquanto olhava o retrato de Baba em frente. Alguém me perguntou o que estava sentindo.
“Estou bem, mas esta escada me lembra a minha própria vida. Há 10 anos atrás ela me cansava mas, hoje, quando não carrego embrulhos, subo facilmente os 70 degraus”. O problema são os embrulhos, as compras, as bolsas que carregamos. Se não fosse isto, se diminuíssemos a bagagem, teríamos a mesma agilidade de um jovem para subir escadas...

Meditação II

Enquanto descasco cebolas comparo também meu trabalho com a minha vida. Descascar cebola, tirar a pele, retirar experiências negativas para chegar à Essência.

Meditação III

Sol descendo devagar. Barulho de passos na areia.
Meditação “Neti, Neti”, conhecida da antiga tradição hindu.
Andei também sobre as pedrinhas da estrada repetindo “Neti, Neti”.
Eu não sou a areia, eu não sou as árvores, eu não sou o caminho, eu não sou o corpo, eu não sou a pele, eu não sou os músculos, eu não sou as pernas, eu não sou este sangue, eu não sou estas veias, eu não sou este coração, eu não sou esta energia, eu não sou a célula, o átomo, o quantum. Quem sou eu?
O sol foi descendo solene, devagar. Sentei-me no chão depois de saudá-lo. E a resposta surgiu.
Eu sou Luz, eu sou a Eternidade..
Uma enorme paz me envolveu. No imenso gramado verde, as sombras da noite apagaram o colorido das plantas e das flores.

*Fotos da internet

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segunda-feira, 25 de abril de 2016


PIERRE WEIL E O RETIRO DAS PEDRAS

  “Era uma vez um cidadão de Estrasburgo que, cansado das guerras entre Alemanha e França, resolveu migrar para o Brasil. Foi em meados do século XIX. Passou por lá uma banda de música brasileira, ele ficou fascinado e resolveu emigrar. A história de meu bisavô, Luiz Andrés, tem alguma semelhança com a de Pierre Weil.” (trecho de depoimento de Maurício Andrés sobre Pierre Weil)

Pierre também nasceu na mesma cidade situada na Alsácia e emigrou para o Brasil motivado pela II Grande Guerra.

Numa fria manhã de outubro, domingo dedicado a São Francisco de Assis, foi celebrada uma missa na capela do Condomínio Retiro das Pedras, em homenagem à Pierre Weil, antigo morador e ex- presidente do Condomínio.
Nada melhor para apresenta-lo às pessoas que não tiveram a oportunidade de conhece-lo pessoalmente do que esta frase de São Francisco:”Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.”
A oração, de certo modo, retrata o que foi Pierre em seus últimos anos de vida.
“Onde houver ódio, que eu leve o amor, onde houver tristeza que eu leve a alegria”

Pierre residiu por muitos anos no Retiro das Pedras. Caminhava todos os dias vestido com sua característica túnica indiana e aqui, neste ambiente de beleza natural no alto das montanhas, ele teve a oportunidade de dar continuidade à sua missão de pensador e místico holístico. Aqui no Retiro a Universidade da Paz foi idealizada. Sua proposta, anteriormente destinada à uma comunidade espiritualista nas montanhas, extrapolou Minas Gerais para se expandir em Brasília, capital do país. Ali obteve do então governador José Aparecido de Oliveira o apoio necessário para a criação de uma Universidade Holística Internacional, buscando a integração de todas as tradições religiosas e o encontro entre Arte, Ciência, Religião, Filosofia, Psicologia e Ecologia.

Por ocasião da fundação da Universidade da Paz, Pierre reuniu professores de diversas áreas. Teríamos de prestar concurso incluindo prova escrita, apresentação de currículo e defesa de tese. Apresentei como tese o livro “Os Caminhos da Arte”, de conteúdo holístico. Pierre escreveu o prefácio desse livro, editado pela editora Vozes e recentemente reeditado pela editora COM/ARTE.

Em Brasília participei como professora de vários workshops holísticos.

Os workshops da UNIPAZ e o programa de Formação Holística de Base, com o apoio da Unesco, se estenderam por todo o Brasil e existem representantes deles em várias cidades da América Latina.

O objetivo principal é a quebra da separatividade e a consciência de que todos somos irmãos, vivemos no mesmo planeta e respiramos o mesmo ar.
Por suas idéias Pierre Weil foi admirado e respeitado internacionalmente.
A missão de Pierre nesta vida foi sempre uma missão de paz, procurando harmonizar os conflitos e aceitando as adversidades com uma coragem extraordinária.
Pierre terminou seus dias cego, e mesmo assim continuou administrando workshops pelo Brasil. Reunia grupos e os sensibilizava para a percepção de outros aspectos sensoriais – do toque das mãos, do despertar do ouvido, do perfume das frutas e flores.

Pierre será sempre lembrado por esses aspectos positivos de sua pessoa. Ele abandonou seu país em guerra para procurar no Brasil incessantemente os caminhos da paz.

Após a missa fomos até a Praça do Sol e ali plantamos uma árvore, em homenagem à Pierre Weil. Naquela ocasião falamos: "Aqui estamos para agradecê-lo pelos benefícios que transmitiu a todos nós."

*Fotos de Maria Helena Andrés

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