Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
segunda-feira, 9 de maio de 2016
segunda-feira, 2 de maio de 2016
MEDITAÇÕES NA ÍNDIA I
Meditação I
A grama verde se estende a perder de vista. Pessoas
relaxando, o dia acabando. Alguns fazem yoga. Ontem no curso de contemplação,
sugeriram-me fazer um diário.
O diário começou com a minha própria vida. Tudo está
relacionado. Tenho 70 anos e preciso subir 70 degraus para chegar ao meu
quarto. Estou alojada no terraço do Anapurna e à noite, as estrelas brilham no
chão de mármore branco.
Quando me levanto para ir ao banheiro, vou pisando
sobre as estrelas e só isto me faz relaxar. Agora relaxo também olhando a grama
em frente.
Hoje, quando estava no 60° degrau, pensei comigo
mesma no que estava fazendo quando tinha 60 anos. Devia estar exatamente
subindo esta escada e parando para descansar enquanto olhava o retrato de Baba
em frente. Alguém me perguntou o que estava sentindo.
“Estou bem, mas esta escada me lembra a minha
própria vida. Há 10 anos atrás ela me cansava mas, hoje, quando não carrego
embrulhos, subo facilmente os 70 degraus”. O problema são os embrulhos, as
compras, as bolsas que carregamos. Se não fosse isto, se diminuíssemos a
bagagem, teríamos a mesma agilidade de um jovem para subir escadas...
Meditação II
Enquanto descasco cebolas comparo também meu trabalho
com a minha vida. Descascar cebola, tirar a pele, retirar experiências
negativas para chegar à Essência.
Meditação III
Sol descendo devagar. Barulho de passos na areia.
Meditação “Neti, Neti”, conhecida da antiga tradição
hindu.
Andei também sobre as pedrinhas da estrada repetindo
“Neti, Neti”.
Eu não sou a areia, eu não sou as árvores, eu não
sou o caminho, eu não sou o corpo, eu não sou a pele, eu não sou os músculos,
eu não sou as pernas, eu não sou este sangue, eu não sou estas veias, eu não sou
este coração, eu não sou esta energia, eu não sou a célula, o átomo, o quantum.
Quem sou eu?
O sol foi descendo solene, devagar. Sentei-me no
chão depois de saudá-lo. E a resposta surgiu.
Eu sou Luz, eu sou a Eternidade..
Uma enorme paz me envolveu. No imenso gramado verde,
as sombras da noite apagaram o colorido das plantas e das flores.
*Fotos da internet
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ARTISTA”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
PIERRE WEIL E O RETIRO DAS PEDRAS
“Era
uma vez um cidadão de Estrasburgo que, cansado das guerras entre Alemanha e
França, resolveu migrar para o Brasil. Foi em meados do século XIX. Passou por
lá uma banda de música brasileira, ele ficou fascinado e resolveu emigrar. A
história de meu bisavô, Luiz Andrés, tem alguma semelhança com a de Pierre
Weil.” (trecho de depoimento de Maurício Andrés sobre Pierre Weil)
Pierre
também nasceu na mesma cidade situada na Alsácia e emigrou para o Brasil
motivado pela II Grande Guerra.
Numa fria manhã de outubro,
domingo dedicado a São Francisco de Assis, foi celebrada uma missa na capela do
Condomínio Retiro das Pedras, em homenagem à Pierre Weil, antigo morador e ex-
presidente do Condomínio.
Nada melhor para apresenta-lo
às pessoas que não tiveram a oportunidade de conhece-lo pessoalmente do que
esta frase de São Francisco:”Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.”
A oração, de certo modo,
retrata o que foi Pierre em seus últimos anos de vida.
“Onde houver ódio, que eu
leve o amor, onde houver tristeza que eu leve a alegria”
Pierre residiu por muitos
anos no Retiro das Pedras. Caminhava todos os dias vestido com sua
característica túnica indiana e aqui, neste ambiente de beleza natural no alto
das montanhas, ele teve a oportunidade de dar continuidade à sua missão de
pensador e místico holístico. Aqui no Retiro a Universidade da Paz foi
idealizada. Sua proposta, anteriormente destinada à uma comunidade
espiritualista nas montanhas, extrapolou Minas Gerais para se expandir em
Brasília, capital do país. Ali obteve do então governador José Aparecido de
Oliveira o apoio necessário para a criação de uma Universidade Holística
Internacional, buscando a integração de todas as tradições religiosas e o
encontro entre Arte, Ciência, Religião, Filosofia, Psicologia e Ecologia.
Por ocasião da fundação da
Universidade da Paz, Pierre reuniu professores de diversas áreas. Teríamos de
prestar concurso incluindo prova escrita, apresentação de currículo e defesa de
tese. Apresentei como tese o livro “Os Caminhos da Arte”, de conteúdo
holístico. Pierre escreveu o prefácio desse livro, editado pela editora Vozes e
recentemente reeditado pela editora COM/ARTE.
Em Brasília participei como
professora de vários workshops holísticos.
Os workshops da UNIPAZ e o
programa de Formação Holística de Base, com o apoio da Unesco, se estenderam
por todo o Brasil e existem representantes deles em várias cidades da América
Latina.
O objetivo principal é a
quebra da separatividade e a consciência de que todos somos irmãos, vivemos no
mesmo planeta e respiramos o mesmo ar.
Por suas idéias Pierre Weil
foi admirado e respeitado internacionalmente.
A missão de Pierre nesta vida
foi sempre uma missão de paz, procurando harmonizar os conflitos e aceitando as
adversidades com uma coragem extraordinária.
Pierre terminou seus dias
cego, e mesmo assim continuou administrando workshops pelo Brasil. Reunia
grupos e os sensibilizava para a percepção de outros aspectos sensoriais – do
toque das mãos, do despertar do ouvido, do perfume das frutas e flores.
Pierre será sempre lembrado
por esses aspectos positivos de sua pessoa. Ele abandonou seu país em guerra
para procurar no Brasil incessantemente os caminhos da paz.
Após a missa fomos até a
Praça do Sol e ali plantamos uma árvore, em homenagem à Pierre Weil. Naquela
ocasião falamos: "Aqui estamos para agradecê-lo pelos benefícios que transmitiu
a todos nós."
*Fotos de Maria Helena Andrés
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