Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
MAHABALIPURAN TEMPLO DE SHIVA
Das janelas do carro observo o Templo de Shiva. A
água muito azul contempla a homenagem dos homens ao Deus Shiva, criador e
destruídor. Nos dias de maré cheia, a água invade o templo e vai lavando a
pedra talhada. Shiva Lingan está lá dentro, esculpido na pedra por mãos
humanas.
Há 200 anos atrás um rei ou marajá encomendou aos seus artesãos este
trabalho em Mahabalipuran, hoje monumento histórico de cultura e arte. As mãos
que esculpiram a pedra já desapareceram , o marajá também já passou para outro
plano com todas as suas pompas e riquezas. Ficou o templo de arte vivo no
presente, lembrando o passado, recordando os tempos idos em que tudo era feito
a mão, onde a energia humana animava a pedra bruta como aquela palavra mágica
das “Mil e uma noites”: “Abre-te Sésamo!” “Abre-te pedra, nós vamos em conjunto
desvendar seu mistério de muitos anos, cavando a imagem de nossos deuses em sua
superfície.”
Assim teriam pensado os artesãos e escultores que
diretamente talharam a pedra bruta com a imagem de seus deuses.
A história da Índia, sua filosofia, seus animais
sagrados, ali está gravada na pedra.
Um bando de crianças com trancinhas e saias azuis
passa em frente aos monumentos entre cochichos e risos.
De repente, em meio aos dialetos desconhecidos,
frases familiares vão ocupando o espaço acústico. Um guia fala em bom português
“Isto aqui é como se um escultor tivesse esculpido o Pão de Açúcar”. Um grupo
de turistas contempla. Vieram do ashram de Sai Baba e aqui estão também contemplando
a pedra sagrada. Não seria o Pão de Açúcar também uma pedra sagrada? A vida nos
fala momento a momento, não através de pensamentos, mas de fatos. No momento o
encontro com o grupo de brasileiros foi uma resposta da vida.
(Trecho de
meu diário de viagem, 1990)
*Fotos da internet
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ARTISTA”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
TRANSFORMAÇÕES
Escuta a voz dos jovens...
Procuro aplicar esta frase em minha vida. Estou escutando a voz dos jovens,
daqueles que vieram ao mundo muitas vezes para ensinar os mais velhos a
enxergar o novo. As mudanças acontecem o tempo todo, elas passam por nós e não
vemos nem percebemos que elas existem, porque estamos apegados ao passado.
Esta mudança
começa dentro de casa e é um reflexo da mudança que está acontecendo dentro de
nós mesmos, nos caminhos internos do passado. E assim, não sabemos como nos
desvencilhar daquilo que é velho porque o passado fala mais alto.
Enfim, por
que acumular coisas?
São papéis,
cartões, jornais velhos, revistas, sapatos, bolsas, roupas, um montão de coisas
usadas, e agora, no momento, relegadas ao abandono, mas que teimam em continuar
entupindo as gavetas.
“Deixa eu
por ordem nas suas coisas, vó?"
“Pode jogar
fora o que quiser, vou achar ótimo!”
Já estava
saturada de guardar coisas, mas não sabia como começar. Não quis dar palpite,
deixei a neta arrumar sozinha, sem intervenções.
Viajei e a
deixei organizando tudo.
Quando
cheguei, ganhei de presente o meu quarto arrumadíssimo, as gavetas em ordem,
tudo arrumado com bom gosto. Minha sala também se organizara e até o quarto da
empregada recebeu vida nova.
Esta neta
caprichosa percebe o momento exato em que pode acontecer uma transformação.
Assim sendo, transformou o meu desenho bidimensional em tridimensional e deu
impulso para a realização de novas esculturas.
Mudança,
limpeza, o externo se reflete no interno...
É hora de
mudar, de organizar o ambiente em que vivemos, para dar espaço ao novo, às
terras do amanhã que ainda não foram vividas.
“Liberte-se
do passado”, nos disse um dia Krishnamurti, o grande arauto da Era de Aquários.
Para isto, é
importante escutar os jovens, perceber em suas atitudes este apelo para o novo.
Tenho
bisnetas que já nasceram vegetarianas, outra não consegue comer doces.
De onde vem
esta atitude em pessoas tão jovens? O fato é que elas enxergam a necessidade de
mudança com muito mais intensidade do que nós, amarrados ao passado...
Escutar o
canto da vida é estar presente, percebendo as lições que nos chegam através
daqueles que estão mais perto de nós, dos jovens e das crianças. Eles percebem
as terras do futuro e estão nos chamando para receber o novo a cada instante.
Fotos de
Ivana Andrés
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
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