Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
terça-feira, 31 de março de 2015
quinta-feira, 12 de março de 2015
MEMÓRIAS DE UM CAVALETE
No sábado, 28 de
fevereiro, houve uma performance na
nossa fazenda em Entre Rios de Minas. Performance
é um acontecimento que os artistas promovem para marcar eventos importantes, trabalhar
o corpo e dar um toque de consciência
nas pessoas. A performance é uma cena
única, imediata. Sua função é de atuar no aqui e agora.
Não tendo podido
comparecer ao acontecimento procurei senti-lo à distância, através de fotos e
depoimentos. A performance realizada
no pátio de nossa fazenda foi organizada por Jayme Reis, Marília Andrés e Pedro
Ariza Gonzàlez. Fizeram uma fogueira das coisas velhas, papéis, telas que não
deram certo e até um cavalete fora de uso, sustentando uma tela pintada por
Jayme Reis com uma figura ao estilo de Picasso. Fiquei pensando na trajetória
de meu cavalete que já prestou muito serviço e amparou muitos sonhos. Para que
serve um cavalete? Hoje em dia, com a ampliação dos quadros para dimensões
maiores, o cavalete vai caindo em desuso.
Lembro-me de um
cavalete portátil que eu tive quando ainda estudava na Escola Guignard.
Instalei o meu pequeno cavalete em cima da grama sustentando uma tela. O
cavalete não parava em pé e eu tentava pintar assim mesmo. De repente ouvi uma
voz atrás de mim: “Deste jeito é difícil pintar!” Olhei para trás, era o
Roberto Burle Marx me aconselhando... Naquele tempo os grandes nomes da pintura
vinham conversar com o Guignard e aconselhar suas alunas...
Agora, o meu último
cavalete foi queimado na performance juntamente
com a figura de Picasso feita por Jayme Reis, denominada The Last Picasso. A cena foi
incrível, o céu estrelado assistiu tudo e a fogueira consumiu o quadro e o
cavalete reduzindo a cinzas um pouco do meu passado. A idéia da queima foi
importante para o meu aprendizado de desapego. O cavalete foi queimado e com
ele uma série de histórias. Agora, de uns tempos para cá não uso mais
cavaletes. Coloco a tela no chão e vou pintando com uma vassoura de espuma. Há
muito tempo deixei os pincéis, eles são usados somente para assinatura. Na
década de 1960 substitui os pincéis pela esponja e o cavalete também perdeu o
seu uso. A performance no pátio da nossa casa em Entre Rios de Minas foi de
grande importância para mim, um aprendizado de vida. A queima do cavalete
simbolizou a libertação do suporte. Cavalete é o suporte tradicional da pintura
desde o renascimento e este cavalete virando cinzas mostrou a transformação que
já estava ocorrendo na minha arte: novos meios de expressão vieram à tona tais
como as pesquisas na Índia, a publicação de livros, a escultura, a fotografia e
os blogs na internet. A vida e a arte
continuam o seu caminho.
*Fotos de Eymard
Brandão, Jayme Reis, Pedro Ariza e Marília Andrés
VISITE TAMBÉM MEU OUTRO
BLOG, “MINHA VIDA DE ARTISTA”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.
terça-feira, 3 de março de 2015
TERRA DO FOGO
Recebi do Professor Cid Veloso,
renomado cardiologista e amante das viagens internacionais, um texto sobre a
sua passagem pela Terra do Fogo, que publico abaixo:
“Navegamos até o Cape Horn (Cabo de
Hornos), na Terra do Fogo, do lado chileno. A Terra do Fogo tem este nome
porque os navegadores que chegaram ao território visualizavam muitas fogueiras
feitas pelos nativos, para combater o frio e para finalidade agrícola. O Cape
Horn é o ponto mais meridional da América do Sul e fica situado na ponta da
Ilha de Horn, junto com um pequeno grupo de ilhas desabitadas, tendo a ilha 8
km. de comprimento. É considerado o ponto de limite entre o Oceano Atlântico e
o Oceano Pacífico; naturalmente, o limite não é visível, pois o mar é igual nos
dois Oceanos, mas a convenção da mudança dos grandes Oceanos causa emoção,
quando se visualiza a região. O Oceano Pacífico tem este nome, porque
navegadores que primeiro passaram pelo local percebiam que ele era mais calmo
do que o Oceano Atlântico. Realmente, a navegação na região provocou um balanço
maior do navio. A navegação muitas vezes é tão turbulenta, que antigamente os
marinheiros que conseguiam atravessá-la recebiam honrarias especiais.
O mar da região do Cape Horn, do Estreito
de Magalhães (escrevem Magallanes – grafia espanhola ou Strait of Magellan –
grafia inglesa) e do Canal de Beagle eram as rotas comerciais de navios que se
dirigiam para a costa oeste dos Estados Unidos e países do Oceano Pacífico,
deixando de constituir essa via de acesso após ter sido inaugurado o Canal do
Panamá, em 1914.
Deixando o Cape Horn, o navio
navegou em direção norte, entrando na Passagem de Richmond até o Canal de
Beagle (nome que homenageou o navio que Charles Darwin viajou durante cinco
anos na região, fazendo suas pesquisas sobre a evolução do homem). É
impressionante como a presença de Darwin é marcante na região: há Ilha Darwin,
Estreito Darwin, Cordilheira Darwin, Estância Darwin (Argentina), cidade de
Darwin (Ilhas Falkland/Malvinas) e Monte Darwin. Esse Canal de Beagle é a
fronteira entre o Chile e a Argentina na Terra do Fogo."
*Fotos de Cid Veloso
VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MINHA
VIDA DE ARTISTA”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA
Assinar:
Postagens (Atom)

.jpg)
.jpg)








