terça-feira, 10 de julho de 2018




POEMA CONCRETO I


Para ilustrar a minha participação no movimento concretista da década de 50, escolhi para as próximas postagens, alguns poemas concretos escritos na época.

VIDA URBANA

VIDA
CHEIA
BARULHENTA
DA CIDADE
CASAS
ARRANHA CÉUS
LUZES
CORTINAS
FRESTAS
SEGREDOS
VIDA

*Fotos de arquivo

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segunda-feira, 2 de julho de 2018

BRASIL E ÍNDIA VISTOS POR MARIA HELENA ANDRÉS


 Pesquisando nos meus guardados, encontrei o texto abaixo, escrito em 1984, pela cronista de arte mineira Mari’Stella Tristão.

“Um belíssimo trabalho acaba de ser editado pela empresa Morrisson Knudsen Engenharia. Trata-se de uma obra de autoria da artista plástica Maria Helena Andrés, com a colaboração de sua filha Eliana, constante de texto e desenhos comparativos entre o Brasil e a Índia, programado a partir das vivências e pesquisas de Maria Helena nos dois países.

A empresa permitiu também às autoridades a colocação da obra à venda, o que será feito a partir de hoje pelas galerias e livrarias de arte.
Maria Helena Andrés  escreveu e lançou em 1965, seu primeiro livro “Vivência e Arte”.

Nesse tempo, Maria Helena Andrés pintava a linguagem da terra e do mar, alcançando depois o espaço – com a fase da pintura cósmica – 1969- quando, coincidentemente , o homem pisava na lua, estabelecendo assim uma relação entre o que estava acontecendo com o que ela já fazia. Sua pintura sempre antecipou à investigação que vem depois para complementar o que já havia vivenciado na prática.

A partir de 1970, Maria Helena começou a estudar as filosofias orientais. Em 78, vai à Índia em companhia do filho arquiteto Maurício Andrés e sua mulher Aparecida, em bolsa de estudos, lá permanecendo por um ano. Foi aí que Maria Helena começou a observar a semelhança muito pronunciada entre o brasileiro e o indiano, principalmente no sul da Índia, talvez pela localização dos dois países – ambos banhados pelo sol dos trópicos.

Mais tarde, em 1982, voltando à Índia, Maria Helena estabeleceu contatos com historiadores de Goa, que lhe forneceram informações sobre a colonização portuguesa e o intercâmbio existente entre indianos e brasileiros, naquele tempo.
As naus colonizadoras partiam de Macau, na China, paravam em Goa, na Índia, seguindo pelo sul da África, com ordens de seguir até Lisboa. Mas de passagem pela costa brasileira, os tripulantes desciam com várias “mercadorias”, que influenciaram decisivamente na arte colonial brasileira, o mesmo acontecendo na Índia, donde a afinidade dos detalhes barrocos...

Maria Helena fez, em Goa, um curso com o historiador Antônio Menezes e observou que ali existe grande interesse pela realização de um intercâmbio com elementos da cultura no Brasil pela semelhança entre as duas raças. Maria Helena diz que parece o mesmo povo”. (Mari’Stella Tristão, 22/12/1984)

*Fotos de arquivo

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sexta-feira, 22 de junho de 2018


VASANT VIHAR


Nas minhas anotações de viagem, encontrei este pequeno texto, que se refere a Vasant Vihar, Fundação Krishnamurti em Chenai. Acho oportuno colocá-lo agora, dando continuidade ao texto de Fernando Guedes.

A permanência neste espaço onde viveu Krishnamurti significa a grande benção da viagem. A gentileza da acolhida, o pequeno “cottage” onde estamos hospedadas, permitindo momentos de reflexão e estudo, estão nos trazendo a necessária paz para seguir para o norte.

 Estes 4 dias estão sendo aproveitados para estudo e repouso. Minha filha sai todas as tardes afim de recolher informações sobre sua pesquisa de música devocional. 

Hoje, Mrs Saraswati, a jovem educadora encarregada da programação dos diversos cursos, sentou-se conosco frente à sua casa. Ensinou-nos canções de roda de crianças indianas, nas diversas línguas: híndi, telugu, malayana, bengali, kanadá.

Esquilos subiam apressados pelas árvores em frente, e os corvos acompanhavam o som das cantigas como se fossem também crianças.
Ser criança é estar aberto para viver o momento, e o momento é sempre uma cantiga de roda, em qualquer língua, em qualquer país.

*Fotos da internet

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segunda-feira, 11 de junho de 2018



DIÁRIO DE VIAGEM À ÍNDIA, FERNANDO GUEDES I

Em 1990, organizamos um pequeno grupo com a finalidade de visitar a Índia de forma não turística. Éramos 4 pessoas, todas interessadas em conhecer comunidades espiritualistas. Nosso grupo era formado por Marília Paleta, professora de Yoga, Ana Araújo, médica Antroposófica e Fernando Guedes, filósofo e Teosofista. Eu fiquei como orientadora do grupo, já que fizera muitas viagens àquele país.
Recentemente, revendo as anotações de viagem, encontrei o Diário escrito por Fernando Guedes. Pedi-lhe a permissão de publicar alguns textos, que seguem abaixo.

“Acabo de vir de um passeio pelos jardins da Fundação Krishnamurti. Os pássaros começavam a se recolher, alguns ainda ciscando o gramado da frente. Um esquilo desceu de uma árvore bem à minha frente. Uma paz muito grande na hora do Ângelus.
Hoje Marília Paleta e Maria Helena foram visitar alguns templos fora da cidade pela manhã. Lembro-me de quando perguntaram a Krishnamurti, durante uma palestra na Índia, se ele era contra ou a favor da presença dos “intocáveis” nos templos hinduístas. Sua resposta foi : “Não deveria haver templos!”. Às vezes me parece que, no fundo, os gurus e Krishnamurti falam sobre a mesma coisa. Só que os gurus lançam mão de uma linguagem mítica e tradicional; e Krishnamurti, de uma linguagem psicológica e factual, mais de acordo com as necessidades do mundo atual.
Tenho estado em permanente contato com Krishnamurti, através de livros, vídeos e conversas. Mas às vezes me pergunto se suas abordagens não perdem um pouco da beleza e da poesia do Bhakti Yoga (o Yoga da devoção). Senti muita beleza nos cânticos em Ganeshpuri e em toda a ambiência por lá. Para muitas pessoas isto é muito importante e, para mim, também o foi, ainda que não me considere um devoto. Bom, o próprio Krishnamurti nos convidou a questioná-lo e não segui-lo cegamente. É o que estou fazendo neste momento...” (Sobre a Fundação Krishnamurti)

“Voltamos ontem às 22 horas da apresentação “Dance Drama”, Panchali Sapatham, no Kalakshetra. Foi apresentado em 5 atos, mais de duas horas de espetáculo, e conta a história do Mahabharata. É um misto de teatro, pantomima e dança. É dançado com todo o corpo. O que nos chama a atenção são os movimentos da cabeça, dos olhos e, principalmente das mãos, os mudras, que têm um significado para cada movimento de expressão.
A escola foi fundada por Rukmini Devi, falecida em 1986, casada com George Arundale, um dos líderes da Sociedade Teosófica. Pode-se dizer que a SociedadeTeosófica produziu dois grandes presentes para o mundo: Krishnamurti e o Kalakshetra.” (Sobre a Escola de Dança Kalakshetra)

“Hoje cedo, finalmente, estivemos em Auroville. É um projeto internacional em andamento. Não chega a ser uma cidade . Parece que a preocupação é não fazer uma cidade como as demais. As casas estão espalhadas numa imensa área. Morar aqui envolve um total envolvimento com a ideia do projeto. Caso contrário, a pessoa não encontra a necessária motivação. Mas para quem fica é uma bênção. O ponto alto do projeto é o Matrimandir em construção. É o
centro, o ponto focal e de irradiação de luz para toda a comunidade. Tirei muitas fotos do Matrimandir e de sua vizinhança para ilustrar a nossa visita. Auroville é uma experiência de vida comunitária para o próximo século, para a humanidade futura. A vida espiritual é o centro de todas as atividades. É o que o Matrimandir simboliza.” (Sobre Auroville)

*Fotos da internet

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segunda-feira, 4 de junho de 2018


VIAGEM DE TREM - ÍNDIA


Retirei do meu diário de viagens à Índia, o relato abaixo:

"Cinco horas da madrugada em Jaipur. Deveríamos tomar o trem das 5 e meia, reservado na véspera.
Avisaram-nos: “Tomem assento “na marra”. A lei é de quem grita mais alto”

That’s Índia!

Chegamos sem lugar certo. Só aquele “puleiro” sem janelas, compartimento reservado às malas ou aos sacos de batatas.

No escuro da madrugada, o primeiro impacto da falta de conforto.

A necessidade de transporte é muito grande e os mais pobres querem viajar nem que seja sobre o teto do trem.

Um homem alto, barba grisalha se aproximou. Pelas características, deveria ser muçulmano. Alojou-nos em sua cabine. Foram 10 horas de viagem, o suficiente para descobrir que somos todos irmãos. Não existe separatividade nem de raça, nem de credo.

A Índia nos possibilita conscientizar esta unidade. Ficamos amigos. Ele veio de longe, de Calcutá. Viaja com o filho, a nora e o neto e reservou 2 cabines, uma para a família, a outra para ele. É comerciante e chama-se Sarail.

Duas heranças importantes que os ingleses deixaram na Índia: as estradas de ferro e a língua inglesa." (Trecho de viagem à Índia, anos 90)



No Brasil, as estradas de ferro foram desativadas na década de 50, dando lugar às estradas de rodagem.
Elas permaneceram apenas para transporte, na maioria das vezes, de minério de ferro.
Nossas fazendas são cortadas por estradas de ferro, que levam nossas montanhas para outras terras.

*Fotos da internet

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segunda-feira, 28 de maio de 2018


VIAGENS DE TREM


Antigamente parte
Do transporte
Era feito
Por trem de ferro.
Quem quisesse
Viajar
Para o Rio (ou para Entre Rios)
Teria de se arrumar
E entrar no trem.
Sacudindo pelas
Estradas
Lá ia o trem.
A paisagem
Passageira
Passava
Pelas vidraças.
Montanhas
Rios
Campinas
Casario.
E sempre um
Coqueiro na
Curva do caminho.
Eu via a
Escuridão do túnel
E a saída para a
Luz.
O chefe de trem
Vestido à rigor
Abria as portas
Das cabines
Para perguntar
Se tudo estava bem.

Passei anos a fio
Andando de trem
Nas minhas viagens.
No Brasil
Na América
Na Europa
Na Índia
E no Japão
O trem bala.
Os ingleses fizeram
Estradas de ferro
Pela Índia
E cortaram o país
De norte a sul.
Sempre a mesma
Visão sacolejante
De paisagens
Fugidias...
Sempre o mesmo
Apito nas curvas
Das estradas.
E o trem ia
Seguindo
Alegre
Prazeroso
E às vezes
Cansativo
Enfadonho.
Viajei de trem
Para receber um
Prêmio no Rio.
E o trem virou no caminho
Capotou.
Trem é assim.
Segue os trilhos
E economiza
Gasolina
Diesel
Energia.
Retomar o trem
Não é retrocesso
É acesso à nossa
Realidade.

*Fotos da internet

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segunda-feira, 21 de maio de 2018


VIAGEM A MANGALORE I


Nos barcos, os peixes frescos, na maioria sardinhas, reluzem como prata à luz do sol poente. As embarcações vão chegando devagar e o movimento no porto aumenta à cada barco que atraca. Chegamos em Mangalore às 6 da manhã, depois de uma viagem interrompida por uma baldeação forçada.

Temos de chegar a um Ashram próximo à Mangalore.

Estamos sentadas num banco duro e sujo. Calor. Trem de segunda classe, gente chegando com cestos de tomate e sacos de batatas. Caminho de Mangalore para o Ashram . Gente, gente e mais gente. Homens falando outra língua e ninguém falando o inglês. A única forma de comunicação é o desenho. Estão curiosos,   o olhar e o sorriso é de amizade, ternura. Passa uma bandeja de melancia. Falam híndi, nós falamos português e inglês. Invento uma língua com o sotaque deles. 

Agora vejo o lado oposto do planeta como sendo o mesmo, com as mesmas características. Somos o mesmo, lá e cá, gente igual. Agora no trem, olhares curiosos investigam, carregam cestos, vão para as fazendas. Para gente pobre o tempo não existe, a paciência é a tônica. Não existe tempo nem premeditação. A vida é um cenário de impressões que passam como um filme. “No English”. Mas aqui a língua não faz falta. Silêncio, comunicação pelo ruído. 

Descobrimos um rapaz que falava inglês.
“What is your mother language?”, perguntou-nos. “Portuguese”.

Trem de segunda é paciência, integração com a realidade da Índia, no que ela é realmente sem turismo. Cartazes na estação anunciam “Filmes indianos”. Índia é isso: gente, curiosidade, aglomeração.

Com a ajuda do intérprete, que sabia falar inglês, pudemos organizar um coro improvisado, cada um cantando uma canção popular da sua língua. Na nossa vez,  cantamos “Ciranda, cirandinha”. A comunicação entre os povos não se faz somente através do intelecto, mas também incentivando a energia de comunicação das pessoas através do canto. Assim, uma viagem que deveria ser penosa, tornou-se muito divertida.(Trecho de diário de viagem à Índia , 1979)

*Fotos de arquivo

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terça-feira, 15 de maio de 2018


INDIA, MONT ABU


 Enquanto esperamos o trem
Em Aburoad
Vejo carregadores
Vestidos de vermelho
Mulheres com saias plissadas
Coletes bordados
E prata nos braços
Nas pernas, nos pés.
A prata é a constante
Da região.
Colares, brincos,
Pulseiras.
Ao brilho do sol
As mulheres brilham
Enquanto trabalham.
Empilhados num jipe
Quatorze pessoas.
Duas crianças
Com os olhos pintados
Dormem no colo da mãe.
A paisagem de Mont Abu
Vai desfilando
Pelo despenhadeiro.
E aquela velhinha
Vestida de alaranjado
Está enjoada.
Nunca deve ter andado
De jipe.
Mant Abu ficou para trás
Com suas escarpas e vales
E o pico mais alto chamado
Guru Sikar.
O guru é o próprio pico
E a vibração é de
Intensa energia.
Do alto enxerga-se
Até o Paquistão.
Há casas pelas escarpas
Construídas sobre as pedras
E há casinhas pequeninas
Sem janelas
Para a paisagem.
À frente dos casebres
Pobres
Vários homens agachados
Conversam em círculo.
(Trecho de diário de viagem à Índia, s/data)

*Fotos da internet

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segunda-feira, 7 de maio de 2018


CARTA DA ÍNDIA PARA MARÍLIA


Encontrei nos meus arquivos esta carta dirigida à Marília em 1978.

Marília,

Recebi sua carta. Aliás chegaram  muitas, a do Euler, da Ivana, de mamãe, das tias Lourdes, Myrtes, Marília Paleta.

Estou sentada, na comunidade de Bangalore, num quartinho sossegado. Muito passarinho cantando e ar fresco, a 25 graus. Em Delhi passei pela experiência mais quente de toda a minha vida!
Vim do Nepal afim de entrar em contato com a embaixada para a extensão do meu visa. Eliana não quis vir comigo por causa do calor, mas na última hora, apareceu uma amiga dela, francesa, também com urgência de ir à Delhi. Fomos juntas. O calor era tal, que não dava para imaginar, só sentindo. Chegou a 48 graus!
Quase torramos. Aluguei um quarto com ar condicionado, mas acho que o meu karma era sofrer calor.

Houve uma greve, cortaram energia, luz, ventilador, ar condicionado, água fria, tudo de uma vez.
A cabeça da gente ameaçava fundir.

Fomos dormir na “boite” do hotel, num lugar que havia ainda um pouco de ar condicionado . Na nossa frente víamos 2 dragões enormes, fosforescentes, pintados no biombo em frente.


No dia seguinte vim para Bangalore. O avião estava tão quente, que tivemos de descer em Agra para refrescar um pouco. A gasolina evaporou com o calor. Só de noitinha seguimos viagem. Nessas situações, o melhor é não esquentar a cabeça...

Um jornalista ao meu lado, estava desesperado dentro do avião – “Estou acostumado com ar condicionado o dia todo...”
O melhor é embarcar na situação. Resolvi então aplicar o pensamento positivo.
“Na minha terra, muita gente paga para entrar num lugar quente, chamado “sauna”, para tirar as toxinas ou emagrecer...”
O único recurso era este, da auto sugestão. Consegui melhorar o meu vizinho com a ideia da sauna.

Chegamos a Bangalore à noite. 25 graus! Quem entende a Índia? Neste momento em Madras 43, 44 graus. E em Kashimir há neve...

Nepal é lindo, Marília, vale a pena ir lá. Gente boa, agradável, risonha, cantando o dia todo. Até para pedir esmola cantam. Não são insistentes .Vão de casa em casa, tocando um instrumento parecido com viola, cantando canções lindas. Ganham mantimentos e dinheiro. É agradável ouvi-los. As montanhas são plantadas em patamares como no Peru. Há neve no alto dos Himalaias e de manhã a gente acorda para ver o deslumbramento: o  sol nascendo por detrás das montanhas cobertas de neve.
Há búfalos nadando nos rios e lagos, muita paz, de clima ótimo.

Continuo trabalhando, é a única maneira de aceitar as mudanças, os choques do ano passado. Minha pesquisa talvez seja aceita pelo governo indiano. O livro da Pá vai ficar lindo, estamos caprichando . Ele irá dar uma ideia boa de todas as nossas experiências, e estimular pessoas a desejarem ver este outro lado do mundo.

Um abração. Cuide do nenen.

Abraços ao Paixão.

De sua mãe, sempre presente,
Helena.

*Fotos da internet

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quinta-feira, 3 de maio de 2018


UMA HOMENAGEM NA EMBAIXADA DA ÍNDIA


Há exatamente 40 anos, iniciamos nosso trabalho na Índia. Caminhamos naquele país de norte a sul, de leste a oeste, com os olhos atentos para uma cultura milenar, que se descortinava diante de nossos olhos como uma tela panorâmica. Uma família brasileira descobre a Índia, pensava, enquanto assistia às cenas projetadas dos livros do Pepedro, Oriente – Ocidente, Tesouros da Índia.

Estava sentada junto ao embaixador daquele país, que nos recebeu muito cordialmente na embaixada. O embaixador Ashok Das trouxe livros para nos presentear e recebeu também livros, como resultado de nosso trabalho.

Aquele intercâmbio transnacional ocorreu de forma intensiva em 1978, quando nosso grupo se transferiu para a Índia, acompanhando meu filho Maurício numa pesquisa realizada por ele naquele país.

Eu rememorava aspectos daquela viagem e de muitas outras realizadas mais tarde, motivadas por uma forte necessidade interior de aproximar os povos do Oriente e do Ocidente.

No momento em que assistimos a um filme documentário, projetado no telão da Embaixada, minhas reflexões constatam o papel relevante da arte nesse tipo de intercâmbio. Relembro textos, poemas, desenhos, palestras, projeção de slides, livros publicados.

Todos esses recursos alinhavados durante nossas inúmeras viagens por regiões desconhecidas, afrontando situações climáticas diversas, foram recompensados com o acolhimento gentil que recebemos do povo indiano.

O diplomata indiano, Abhay Kumar é um poeta reconhecido internacionalmente. Foi por seu intermédio que recebemos o convite, já que ele é o chefe de missão adjunto, substituto do embaixador.

Vale a pena transcrever textos de sua entrevista no jornal “Correio Brasiliense” no dia do aniversário de Brasília.
“Brasília impactou positivamente minha vida criativa. Eu também fiz muitos amigos poetas, escritores que vivem em Brasília e arredores.
Brasília é uma cidade única. Eu visitei muitas capitais, mas nenhuma se compara a Brasília. Em primeiro lugar, Brasília é branca, que é minha cor preferida e uma cor de pureza. Em Brasília vejo um esforço para trazer a geometria dos corpos cósmicos para seu projeto arquitetônico dos edifícios monumentais da cidade, como o Museu Nacional. Eu me sinto em casa andando nas vastas extensões de grama no meio da cidade. Não conheço nenhuma outra cidade que tenha tanto espaço aberto, tantas árvores frutíferas e tantos pássaros. Onde quer que eu vá, sempre quero voltar a Brasília. Aqui eu encontro minhas mangas preferidas, jacas e goiabas espalhadas nas calçadas em qualquer direção que eu vá. Eu me apaixonei pelos ipês desabrochando. Com o horizonte baixo como na maior parte de Brasília, tenho uma visão clara do lindo céu. Nas noites de lua cheia, a lua parece elevar-se do lago Paranoá. Viver em Brasília é como viver em um lar celeste.  Brasília possui elementos de transcendência espiritual entrelaçados em sua arquitetura e planejamento urbano e, portanto, nos oferece uma oportunidade de pensar acerca de quem realmente somos, de onde viemos e para onde estamos indo.”

Este depoimento nos leva a pensar sobre a necessidade da arte como forma sensível e amorosa de comunicação.

A arte continua sendo a grande mensageira da paz entre os povos da Terra.

*Fotos de Maurício Andrés e Marília Andrés

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