terça-feira, 14 de agosto de 2018


PAINEL CONSTRUTIVISTA NO GRUPO ESCOLAR HERBERT DE SOUZA


Estou diante da tela do computador, vendo desfilar as fotos concretistas de meu  painel executado na década de 1950 para a residência de Licurgo e Antonieta Lucena. Eles eram nossos vizinhos na rua Santa Rita Durão e pretendiam inaugurar uma casa nova com o meu painel.

Foi uma encomenda muito prazerosa, criei o projeto e solicitei a colaboração do ceramista Juan Franco Cerri, para o trabalho feito em cerâmica.

O painel construtivista ficou por muitos anos enfeitando a fachada da casa dos Lucena. Às vezes eu passava de carro e parava para vê-lo.

Ali ficou até que um dia o casal resolveu demolir a casa para, naquele local, construir um prédio.

Foi quando me telefonaram pedindo uma sugestão. Queriam colocar o painel num local onde tivesse visibilidade. Descobrimos o lugar ideal, o Grupo escolar Herbert de Souza , num bairro da periferia de Belo Horizonte. A transferência foi também executada por Cerri e hoje ocupa um espaço no Grupo Escolar, alegrando as paredes por onde passam crianças.

Há alguns anos atrás, fui visitar o grupo, conversei com as crianças, tiramos retratos juntos.

É importante ressaltar a generosidade de Licurgo e Antonieta, doando o seu painel para benefício público.

As fotos desta postagem foram tiradas por Rosa Maria Machado de Sousa, bióloga e analista social que trabalha na URBEL. Ela  estava fazendo um trabalho com os alunos da escola integrada sobre situações de riscos (geológicos e ambientais), desde que a escola Municipal Herbert de Souza fica próximo ao córrego do Onça, bairro Aarão Reis. Ficou emocionada quando viu o meu painel, pois é grande amiga de meu filho, Maurício Andrés.

A cidade e as crianças agradecem esta iniciativa.

*Fotos de arquivo e de Rosa Maria Machado de Souza.

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quarta-feira, 8 de agosto de 2018


VISITA A GIROMAGNY



Cecilia Caram, minha sobrinha, esteve em Giromagny, cidade dos antepassados do meu marido. A origem da família é na  França, cidade de Masevaux, e depois em Giromagny, a 3 hs de Strasbourg, na região da Alsácia. Ali está preservada e habitada a casa Andrès, na Grande Rue 6.
Abaixo está um relato da Cecília.

 Depois de 2 trens e 1 ônibus saindo de Strasbourg, passando por zonas de cultivo, vinhedos e castelos, chego à acolhedora e linda cidadela de nosso bisavô, atualmente com 3200 habitantes, terra sonhada pelos que não puderam conhecê-la a não ser por cartões postais fotografados e impressos pelo único irmão de nosso bisavô, Edouard, e depois seus filhos e netos.

Situada nas montanhas dos “Vosges”, é rica por suas bacias d´água, e preserva as fontes onde lavadeiras se reuniam no passado.
A chegada em Giromagny impacta pela fonte Louis XV, edificada em 1758, em torno da qual a cidade foi sendo planificada, localizada bem na pracinha central  e  pela suntuosa antiga “Casa dos Mineradores”  de ferro, prata e cobre que deram por centenas de anos empregos na cidade.

Vou tomar um café e na parede se encontram fotos antigas, com o escrito “imprinterie Andrès”.  Nesse momento, sinto um grande impacto, uma sensação familiar, e a certeza de que valeu a pena chegar ali. Eu sentia o cheiro das árvores de plátano e pisava em terra onde nossa família plantou a sua!
 Como era muito cedo, aguardo em frente uma loja de flores e artesanato local se abrir.
Stephanie, “La fleuriste”,  me escuta, e me ajuda a localizar a prefeitura. Parece mentira, pois quando olhei para o balcão, me chamou atenção  o vídeo que ia mostrando como um filme fotos antigas da cidade. Novamente, outro impacto, pois são muitas as de autoria de nosso tio bisavô Edouard. Senti acolhida  e parte da história  onde estão nossas raízes.

A casa dos ANDRÉS está intacta, na Grande Rue 6 , bem atrás da Igreja gótica local, também um ponto turístico. Ao lado, uma enorme árvore  abriga um quadrado dedicado aos heróis, mortos de guerra.
A casa, ao nível da rua, foi livraria da família, cafeteria e banco. Vendida, hoje é habitada por uma família local.

Fui à prefeitura ,onde Marie -Noelle Marline, chefe do patrimônio histórico, me recebeu com entusiasmo: mais uma “cidadã de origem francesa local”, e logo me levou para sua casa, abriu o computador e aos poucos fui me assustando com o primor dos arquivos dos CENSUs desde 1770, com toda a genealogia digitalizada, em letras caligrafadas.
 Ali estava a história de nossas origens, década por década, dados de nascimento, falecimento, profissão. Ela solicitou que enviasse os dados atualizados de nossa família no Brasil, pois a França se prima pelo patriotismo também expresso dessa forma.

Caminhamos pela igreja e até o cemitério, com  mapa na mão, considerado outro ponto turístico,e onde pude ver localizada a  lápide da família : Cruz grossa de cimento, cravada em chão coberto de musgo, atrás de outro monumento aos mortos de guerra, bandeira hasteada e reverenciada com ritual anual pelos estudantes das escolas locais.
Com toda a papelada em mãos, fotos e mapas, genealogia e escritos traduzidos do diário de nosso bisavô, agradeço ainda a nosso primo Alberto Andrés, pelo esforço de aos poucos, muito antes da era digital, escrever a cartórios, paróquias, prefeituras, rastreando informações, as quais recolhi com minha mãe que sempre aguardava ansiosa por ter acesso a cada uma que chegava por correio...

Aqui as incluo nesse relato para o blog de nossa tia Maria Helena (96 anos), querida como minha mãe “adotada por escolha”, e que convidou-me a compartilhar essa experiência em seu blog.”

*Fotos de Cecília Caram e da  internet.

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