segunda-feira, 14 de janeiro de 2019


REENCONTRO EM BANGALORE


Aos poucos, das vidraças do trem, começamos a rever o nosso passado de Bangalore – as casas com treliças de madeira, o tráfego e as pessoas na rua. 

Perto de um chafariz, uma jovem indiana com flores coloridas nas tranças, retira água no cântaro de metal. Parece aquelas figuras antigas que eu pintei há muitos anos, antes de conhecer a Índia. Passado e presente se interligam no mesmo painel.

Agora, Dr Peter vem nos buscar no hotel para almoçar no restaurante chinês Blue Heaven. Continua remoçado, bem humorado e cheio de vida, apesar de seus 74 anos. Trabalha 9 meses na Índia para desfrutar 3 meses na Suíça, com Gilda, sua esposa.

Revisito o Raman Institut de Bangalore, onde, por várias vezes estive hospedada na residência de meus amigos Radhakrisna e sua esposa Dominique.

Dominique nos recebe em sua casa, como sempre com aquele seu jeitinho de francesa, aberta aos intercâmbios com o Ocidente. Convidou-nos para o almoço e Dr Peter também participou, contando histórias.

Lá fora, o calor intenso de Madras. Um calor úmido, penetrando a pele, abaixando a pressão. Aqui dentro, no imenso salão de grande simplicidade, os vídeos de Krishnamurti estão à disposição dos interessados. Há sempre um rapaz para nos ajudar na escolha e na localização do vídeo.

*Fotos da internet

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019


ESTAR SÓ NA ÍNDIA


Silêncio, vazio, ausência de movimento, estar só. Hoje estou sozinha . Aqui já foi palco de muitas cenas passadas. A experiência do momento está sendo diferente, mas muito rica. As árvores são as mesmas, o vento suave da madrugada refresca o calor do verão.

À noite desço a escadinha atravessando o terraço de tijolo, para ouvir a música da natureza.

Como esta experiência é mais rica do que a de estar num hotel de 5 estrelas! Aqui tenho o céu todo a me cobrir de paz e ao mesmo tempo de mistério.
Estar só significa estar vazio de lembranças e recordações, a comungar com o balançar das árvores e sintonizar com a imensa abóbada celeste sem indagações ou conceitos firmados.

Estar só é estar vazio, e, este vazio é enriquecedor. Contemplar o agora, sem lamentar as cenas do passado, apenas constatar o fato de que elas existiram e foram benéficas. As folhas amarelas caem das árvores e cobrem o chão. Já foram verdes e enxergaram os céus, agora cobrem a grama em que pisamos. Quando nos sentimos ligados à natureza, nunca encontramos a solidão, pois, na realidade, a solidão não existe, tudo está interligado, e esta é a nossa riqueza.

Bato na porta pedindo água filtrada. Aluguei bicicleta, me dispus a andar, mas no mesmo dia levei um tombo. Para comprar frutas vou a Adyar andando  a pé.
Agora Sudda me ajuda. Está sendo maravilhosa. Sempre encontramos pessoas que se ligam a nós quando estamos sozinhas, na realidade a solidão não existe, tudo está interligado.

Novamente Krishnamurti falando. As palavras vão rompendo conceitos mentais e abrindo espaço para o novo que não foi ainda vivido. Saí da palestra às 7 e meia da noite, sozinha. O tráfego a esta hora é intenso, carros, bicicletas, ônibus, tudo ao mesmo tempo, fazendo barulho.

“You are the world, and the world is you”.

Ser o mundo significa estar em comunhão com a multidão, e neste momento eu me sentia separada do mundo, com medo de atravessar a rua.

Um taxi, daqueles de 3 rodinhas parou ao meu lado.

“Where are you going?” (Onde vai a senhora?)

“Não quero ir longe, quero apenas passar para o outro lado, respondi.

O jovem motorista não hesitou. Parou o taxi, segurou o meu braço e me pos do outro lado da rua. Neste momento eu percebi realmente que, apesar de sermos parte deste mundo agitado, sempre encontramos alguém que nos coloca a salvo do outro lado.

*Fotos de José Israel e da internet

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