terça-feira, 18 de setembro de 2018


GANESHPURI 1990 I


Mais uma vez chegando à Índia, parando em Paris, frio  quase a zero, arco do Triumfo, Notre Dame, pontos turísticos. 

Agora a turma encontra um calor já anunciado no avião: 26 graus. São os contrastes da vida. Em Bombaim o frio é grande, depois o calor torna-se insuportável no meio do dia.

Ganeshpuri foi o oásis desde o início. Vieram nos esperar no aeroporto. Um rapaz de 20 anos com um cartaz de “Welcome to Gurumai’s Ashram” nos esperava às 4 da madrugada, ainda escuro. Depois, uma senhora de preto, com um cesto de merenda. “Sou Olga Sodré... Eu já conheço a senhora...” Olga procurou ser gentil com os viajantes cansados e no ônibus nos ofereceu pão integral e limonada. Para quem chega, nada melhor do que este carinho.

Os dias no ashram são movimentados. Casais com crianças pequenas, jovens, pessoas idosas, confraternizam-se na mesma busca espiritual. Aqui se busca o contato com o deus interno, através da meditação, cânticos devocionais, trabalho. Desde as primeiras horas do dia pode-se ver pessoas andando sob as palmeiras, embuçados em chalés de lã. O frio é intenso de madrugada, levanta-se cedinho, sem nenhum esforço. 

No amplo salão de mármore, tendo ao centro o retrato de Muktananda, os devotos cantam. Vozes masculinas e femininas, entoando o Guruguita que é o louvor a todos os mestres.

Antes do nascer do sol, as vozes misturam-se ao gorjeio dos pássaros e o colorido das mantas se encarrega de fazer um grande painel humano.

Anapurna é o salão onde se serve coida indiana. Fazemos fila, homens de um lado e mulheres do outro, cantando mantras. Depois, o silêncio para se oferecer a Deus a comida. Servem chapati, sopa de legumes, verduras. Do outro lado do jardim, a comida ocidental oferece um cardápio variado, vegetariano e até sorvete e coca cola.

Fernando trouxe uma goiabada do Brasil. Uma provadinha depois do jantar nos levou até a pátria distante.

*Fotos da internet

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segunda-feira, 10 de setembro de 2018


A CASA DO BUTÃO


O Retiro das Pedras fica situado o alto das montanhas e, para irmos até Casa Branca, dentro do mesmo município de Brumadinho, tivemos de descer uma estrada sinuosa. O sol brilhava nas curvas, depois desaparecia.

Nossa direção era a “Casa do Butão”, situada no condomínio Quintas da Casa Branca e iríamos assistir ao Encontro entre Culturas Brasil-Índia para celebrar a primavera.

Minha amiga, Heloisa Oliveira, ali construiu uma casa linda, com varandas internas, como nas residências orientais. O espaço interno permite a reflexão e ali foi acesa uma fogueira.

Heloisa Oliveira é conduzida por energias superiores que estão atuando neste plano. Ela é guerreira, não teme o desconhecido e sempre está descobrindo novas formas de viver.

No momento está inaugurando esta “Casa do Butão”, incrustrada na montanha de minério. Naquela região antigamente viveram índios, que hoje, de forma espiritual, defendem as montanhas.

A “Casa do Butão” é um exemplo para esta nossa época, tão cheia de ambições.
Minas sempre foi ambicionada por suas riquezas, e o exemplo desta casa que faz lembrar o pequeno reino situado no alto dos Himalaias vem trazer luz para a sede de devastação da natureza, característica dos tempos atuais.

“Felicidade interna bruta” é a meta do rei do Butão.
“Felicidade interna bruta” se contrapõe ao “Produto interno bruto”.
Lá a meta é trazer felicidade para toda a população.

Heloisa chamou dois músicos para uma apresentação. Maurício Tizumba, conhecido músico e performer mineiro, afrodescendente, e Rashmi Bhatti, músico indiano nascido na região do Rajastão.

Apesar de não falarem o mesmo idioma, se comunicaram de forma extraordinária através dos sons.
Tizumba começou o evento musical tirando música e percussão de um galho de palmeira. Seu colega indiano acompanhava aqueles sons com instrumentos tradicionais da Índia, numa improvisação que encantou os presentes.
Foram momentos de grande beleza neste duo improvisado, homenageando índios, negros, mulatos e caciques brasileiros com os sons perenes da Índia.

A música permite intensa comunicação entre os povos. O som dos instrumentos se irmana com os sons dos vocalistas, possibilitando um diálogo prolongado, quase ininterrupto.

A inauguração da “Bhutan House” foi um sucesso, e Heloisa, sua criadora, merece de nós um grande voto de louvor!

*Fotos de Maurício Andrés

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