segunda-feira, 10 de julho de 2017


CARTAS DE MINHA MÃE NAIR I

Encontrei por acaso um caderno com rascunhos de cartas de minha mãe Nair e selecionei algumas para este blog.

“Lourdes, 10 – 8 -67

Ontem não pude levar essa carta ao correio, de modo que ficou para hoje e assim, posso mandar mais alguma notícia.

Hoje tive uma grande satisfação, fiquei alegre mesmo, rindo à toa.

Antônio Eugênio fez o exame vestibular para Ciências Econômicas da Universidade Católica e passou com boa classificação. Já recebeu o trote, pintaram ele todo de preto, da cabeça aos pés, e os cabelos de vermelho, tendo antes cortado a parte de trás, como “caminho de rato” .

Chegou aqui numa figura cômica, mas radiante.

Agora, depois de ter transposto essa barreira, com a ajuda de Deus, daqui a 4 anos, teremos mais um economista. As aulas nessa Escola são à noite, de modo que poderá trabalhar pela manhã.

Recebi agora sua carta e fiquei muito satisfeita com suas notícias.

Era bom se viessem mesmo buscar os livros e o oratório, pois assim nós nos encontraríamos, pelo menos uns dois dias.

Fiquei muito penalizada com a trágica morte da irmã da Filó. Escrevi a ela e Eduardo, um cartãozinho dando pêsames.

Quero que faça por mim uma visita ao Rodrigo, mas espero que ele esteja bom.

Não tem nada que agradecer a hospedagem, pois a casa é de vocês e além disso, tenho sempre grande satisfação quando aqui estão.

Bem, muitas lembranças a todos.

Um grande abraço de sua mãe.
Nair”

*Fotos de arquivo


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segunda-feira, 3 de julho de 2017


CARTAS DA ÍNDIA I


Das minhas memórias, recolhi as cartas que foram enviadas a meus familiares.

“Mamãe, Marília, Paixão, Ivana, Euler, Artur, Isaura, Maria e todo o pessoal da casa,

Hoje resolvi visitar uma outra Yoga. Tomei um carrinho:olha em cima um indiano pedalando e eu olhando. Eram 6 horas da tarde. Resolvi sair com a fresca. O sol se pondo, lindo... Pensei que a Yoga fosse aqui mesmo, mas era noutra cidade vizinha, numa fazenda. Falei com o indiano para voltar mas ele não entendia inglês. Entreguei para Deus. 
Vi os campos de arroz lindíssimos, com gente trabalhando, tudo limpo, organizado. Campos verdes, coqueiros, choças de palha, lagoas, o cenário de uma beleza emocionante. Cheguei na tal fazenda às 6 e meia e o Yogue estava ocupado, mandou voltar amanhã... Enfim, valeu o passeio e a coragem de não ter medo.

Quando passamos pelo bairro operário de Pondichéry havia gente em quantidade, voltando do trabalho, cantando as ragas da tarde, outros cozinhando, tudo fora das casas, em frente à porta. Aqui usa-se trabalhar na rua. Levam tudo para o passeio: máquinas de costura, máquinas de escrever e, enquanto trabalham, apreciam a rua. 

As barraquinhas de mercado, iluminadas, vendem temperos, bananas, biscoitos, tudo variado. De repente virei para o ciclista: “Pára aí!”  Vi uns papagaios de papel iguais aos nossos do Brasil . Aqui tem outro nome, eu já me esqueci. Comprei um para o Joaquim Pedro soltar na praia amanhã. O menino está lindo com os banhos de mar. Ele e a Pá estão pretos. Eu vou mais cedo porque não aguento o sol depois de 9 e meia. Maurício foi hoje para Madras e segue depois para Calcutá. 

Estamos aqui por mais uns dias, porque ele precisa fazer pesquisa lá e não vai ser bom para o Joaquim deixar Pondichéry agora, porque está lindo de morrer, gordinho e queimado de sol, uma graça de garoto. Canta o dia inteiro com a voz grossa e por onde passa faz sucesso. 

Estou uma avó coruja... Vocês vão bem? Estamos completamente sem notícias, mas receberemos cartas em Calcutá.

Abraços,
Helena.” (Carta de 1978)

*Fotos de arquivo e da internet


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