Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
CARTAS DA ÍNDIA IV
Querida
filha,
Assistimos à escolha do papa. Foi tão comovente! Uma
lua vermelha subindo devagar, os cardeais também de vermelho e o papa sorridente,
de braços abertos parecendo abraçar o globo terrestre. Foi um choque, a escolha
do polonês, mas Maurício e eu vibramos de alegria. No meio da confusão uma
senhora velha desmaiou .
Houve gente em quantidade para socorrê-la. Ela na
maca, desmaiada, segurava a peruca e a bolsa. Achei engraçada a situação.
O lado bonito da hora,
a emoção do papa polonês, 300.000 pessoas olhando a Basílica de São Pedro, o
Espírito Santo descendo, a lua subindo vermelha e se tornando cada vez mais
branca no alto do céu, a cara dos italianos quando souberam do papa polonês, e a tal senhora desmaiada
segurando a peruca. Não é engraçado o mundo?
Tudo acontecendo ao mesmo tempo,
de uma só vez. Quando a gente não se envolve, curte tudo. A tática é ser
realmente parte do todo e às vezes se enxergar com os olhos dos outros, como
eles nos vêm. É bom porque os pontos de vistas são variados.
O Euler está feliz no quartinho e as opiniões variam
– os velhos morrem de pena dele e os novos morrem de inveja... Enquanto isto
ele está como quer, rede no quarto, geladeira embaixo, luzinha azul para
descansar a vista quando chega, independência.
Encontrei a casa do Retiro linda, toda arrumada e o
Euler tocando a Barrinha para a frente. Reformas na casa do Seu Antonio,
reformas na casa central que afundou o chão de cupim. Minhas rendas estão indo
todinhas para lá e eu, se quiser voltar à Índia, terei de ajuntar uns cobres.
Mas tenho a faca e o queijo na mão, é só pintar. Não vou fazer quantidades de
quadros, mas o que fizer cobro caro.
Abraços saudosos. Um beijo muito grande nos amigos
(mande endereços). Abração na Melodia, no Rubem – Sara, na Erika, na Jacy,
Norma, etc. Vou escrever ao Kalakshetra quando decidir a não ida em janeiro.
Deixo a vida resolver e é melhor.
De sua mãe,
Helena (Carta do Brasil para Eliana, que ficou na
Índia)
Fotos de arquivo e da internet
VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MINHA VIDA DE
ARTISTA”, CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA
terça-feira, 1 de agosto de 2017
70 ANOS DE CASADA
Ontem comemorei
Meus 95 anos
Com filhos
Netos
Bisnetos
Irmãos
Cunhados
Noras
Genros.
Quanta gente!
Muita gente
Que veio de
Um casamento.
Hoje
Completo
Setenta anos
De casada.
O Luiz já foi embora
Não está aqui para ver
Os seus netos
Bisnetos
Que encheram
A casa
Cantaram
Em português
Inglês
Italiano.
Os meninos de hoje
Aprendem depressa.
Me lembro de papai
Dizendo:
“O inglês é a língua
Do futuro.”
E todos nós aprendemos
Inglês.
O Luiz também
Mandou todos para
Cultura Inglesa.
Estou fugindo do assunto
Com esta história de língua.
Volto agora para o dia
Do meu casamento
Lá na Igreja de Santana.
Eu vestida de noiva
De braço dado com papai
O caminho até o altar
Parecia enorme.
Luiz vestido de noivo
Estava lindo!
Gente me abraçando
E me seguindo
Até o Castelinho
Onde eu morava
Na avenida Afonso Pena.
Comes e bebes
Doces e salgados.
Virei foco de atenção
Estava doida para acabar a festa.
Parentes vieram do Rio
Numa grande cadillac
Ocuparam nossa casa
Trouxeram filhos e babás.
Eu já arrumara a mala
Para a lua de mel
Quando vi o Luiz
Carregando uma mala pesadíssima.
“O que é que você está levando
Nesta mala tão pesada?”
Perguntei admirada.
São livros de medicina
Para estudar...
“É assim?”
Não tive dúvidas.
Já que você vai estudar
Espere um pouco
Vou buscar outra maleta
Com tintas
E pincéis.
Assim começou nossa vida
De casados
Desde a lua
de mel
Luiz estudando
E eu pintando
Ou desenhando.
Fomos passar um mês
No Rio de Janeiro.
Ali o Luiz participou
De um concurso
No IPASE.
Acabou perdendo...
Eu desenhei sem parar
Levava cadernos para
O Largo do Boticário
E ali desenhava.
Completei 2 cadernos
E pintei um quadro
Que mais tarde presenteei
Minha tia Lilita
Que me cedeu
O apartamento
Para passar a lua de mel.
Hoje este quadro está sumido
Gostaria de revê-lo.
Mas tenho a foto.
O quadro ganhou
Premio de menção honrosa
No Salão do Rio.
Com a morte da tia
Passou para suas netas
Que o transformaram
Em moeda...
Ele foi visto num antiquário
E nunca mais tive notícias.
Quem sabe eu coloco na internet?
A internet é um meio
De comunicação
Que aproxima povos
Culturas
Atravessa o tempo
No Eterno Agora.
Enfim a minha história
Já foi dita
Em 31 de julho de 1947
Eu me casei com o Luiz
Ele me ajudou
A crescer na arte.
Agora, cercada de filhos, netos e bisnetos
Estou soprando um bolo de velas.
Minha bisneta do Rio
Soprou as chamas da lareira
Como se fosse um imenso bolo.
Assim é a vida
Todos juntos, felizes, alegres
Criativos
Cada um na sua.
*Fotos de Maurício Andrés e de arquivo
VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MINHA VIDA DE ARTISTA”,
CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA
Assinar:
Postagens (Atom)















