Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
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terça-feira, 23 de dezembro de 2025
UMA CASA NO RETIRO DAS PEDRAS
À PROCURA DE UMA CASA NO RETIRO DAS PEDRAS
A DESCOBERTA DA CASA
domingo, 31 de março de 2024
MEMÓRIAS DE UMA EX-ALUNA
Naquela noite de 1944, Belo Horizonte estava passando por uma renovação. A Semana de Arte Moderna já completava a sua maioridade e Belo Horizonte ainda estava seguindo os padrões do Academismo.
22 anos de diferença e a renovação acontecia.
Estamos sob o governo de Juscelino Kubitschek. A Pampulha abria as
portas para o modernismo com a construção do conjunto da Igreja, Iate
Clube e a Casa do Baile. Em BH faltava uma escola de artes moderna. Foi
quando Juscelino convidou Guignard para liderar as novas idéias, vindas de São
Paulo e do Rio. Convidou para este trabalho renovador uma equipe do mais alto
gabarito.
Eu era uma jovem estudante de arte que estudava no Rio com Carlos
Chambelland e sonhava com o modernismo. Me vejo subindo a rua da Bahia com o
crítico acadêmico do Estado de Minas, professor Roberto Frank.
Ele me dizia: " Você não vai mudar, você já é conhecida e premiada
nos Salões de Arte do Rio e de BH."
Pensei comigo mesma
" Gosto das idéias
modernistas, propondo renovações. O Academismo não renova, está parado, só
lembrando o passado. "
Naquele momento eu mudei. Comecei do "zero ". Logo no
primeiro dia de aula o Guignard me surpreendeu. Estimulava o Novo, o não
condicionado pelo tempo.
Ver o Novo e saber conduzi-lo era uma das propostas de Guignard.
BH vivia momentos importantes, um ponto de mutação.
Naquela noite, na rua da Bahia, no prédio onde hoje está o Museu da
Moda, surgia um marco decisivo na história das artes em Minas. A partir daquele
momento, os artistas de Minas Gerais tomaram posição definitiva na história,
criando e renovando. Guignard incentivava a criação e ao mesmo tempo exigia
disciplina.
Nas aulas, o lápis duro era o mestre condutor.
"Nada de borracha "
"Você deve observar a natureza, seja ela uma pessoa física, um
retrato ou uma paisagem. "
"Observar o que você vê, sem pressa de acabar. "
Fazíamos então retratos "do natural", nada de cópias
fotográficas. Levávamos dias seguidos no trabalho de um retrato, procurando
trazer para o papel o que estávamos vendo.
Ao lado disto, Guignard nos conduzia também à linha contínua que trazia
a liberdade de expressão, sem condicionamentos. Partir de um ponto e regressar
ao mesmo ponto. Com este ensinamento eu pude realizar projetos de escultura e
pinturas de quadros construtivos, sem preocupações, buscando novos caminhos e
direções na arte.
Bom dia, Guignard!
Estou com 101 anos de vida e até hoje sigo as suas orientações.
Obrigada, mestre!
FOTOS DE ARQUIVO
VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG “MINHA VIDA DE ARTISTA”, CUJO LINK ESTÁ
NESTA PÁGINA.
quarta-feira, 12 de abril de 2023
ORIGEM DAS ESCULTURAS
As esculturas nasceram dos desenhos.
Em 1953, na minha exposição na Galeria do IBEU no Rio, o crítico
Antonio Bento me sugeriu transformar os desenhos em esculturas de fio de ferro
para alcançar o espaço tridimensional.
Escreveu
ele: “Alguns desses desenhos possuem uma grande pureza linear. E são, ao mesmo
tempo, de uma qualidade arquitetônica irrecusável. Lembram esculturas de fio de
ferro, pela nitidez com que se erguem no espaço, parecendo feitas para uma vida
mais transcendente que a do simples desenho em preto e branco. As últimas
composições da artista denotam uma segurança que não se encontra em muitos dos
nossos abstratos de maior experiência. E revelam também uma sensibilidade
apurada.”
Naquela época eu não investi nas esculturas porque gostava
das cores da pintura. Trabalhei com as cores até os painéis de grandes
dimensões. Depois vieram novos desenho, em grandes dimensões, os desenhos
gestuais. Eles nasceram da minha fase de Barcos de 1963 e foram ampliações
desta fase.
Mas a grande virada veio no ano 2000, meu ponto de mutação.
Foi quando surgiram as primeiras esculturas originadas de pequenos desenhos da
década de 1950.
Na ocasião, eu observava o trabalho tridimensional de minha
neta Elena que estudava arquitetura. Ela usava programas de computador para
transformar o bidimensional em tridimensional. Fiquei animada a usar também o
tridimensional para os meus desenhos.
Ali eu poderia ampliá-los para maiores dimensões , como foi
sugerido pelo crítico Antonio Bento em 1953.
Os desenhos bidimensionais se tornaram tridimensionais.
Elena construiu as primeiras maquetes e procuramos o Allen Roscoe que
trabalhava para o Amílcar de Castro.
Com a colaboração do Allen, muitas esculturas surgiram.
Mais tarde busquei a forma redonda usando tiras de papel.
Foi importante este tipo de trabalho.
Foi necessário um despojamento completo das cores, através
dos grandes desenhos para dar início às esculturas.








