quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

UMA CASA NO RETIRO DAS PEDRAS



À PROCURA DE UMA CASA NO RETIRO DAS PEDRAS



 A  DESCOBERTA  DA  CASA




OS  CONSTRUTORES



A CASA DO DISCO VOADOR




O  QUADRO  DE  GUIGNARD






domingo, 31 de março de 2024

MEMÓRIAS DE UMA EX-ALUNA

 

Naquela noite de 1944, Belo Horizonte estava passando por uma renovação. A Semana de Arte Moderna já completava a sua maioridade e Belo Horizonte ainda estava seguindo os padrões do Academismo.

22 anos de diferença e a renovação acontecia.

Estamos sob o governo de Juscelino Kubitschek. A Pampulha abria as portas para o modernismo com a construção do conjunto da Igreja,  Iate Clube e a Casa do Baile. Em BH faltava uma escola de artes moderna.  Foi quando Juscelino convidou Guignard para liderar as novas idéias, vindas de São Paulo e do Rio. Convidou para este trabalho renovador uma equipe do mais alto gabarito.

Eu era uma jovem estudante de arte que estudava no Rio com Carlos Chambelland e sonhava com o modernismo. Me vejo subindo a rua da Bahia com o crítico acadêmico do Estado de Minas, professor Roberto Frank.

Ele me dizia: " Você não vai mudar, você já é conhecida e premiada nos Salões de Arte do Rio e de BH."

Pensei comigo mesma

 " Gosto das idéias modernistas, propondo renovações. O Academismo não renova, está parado, só lembrando o passado. "

Naquele momento eu mudei. Comecei do "zero ". Logo no primeiro dia de aula o Guignard me surpreendeu. Estimulava o Novo, o não condicionado  pelo tempo.

Ver o Novo e saber conduzi-lo era uma das propostas de Guignard.

BH vivia momentos importantes, um ponto de mutação.

Naquela noite, na rua da Bahia, no prédio onde hoje está o Museu da Moda, surgia um marco decisivo na história das artes em Minas. A partir daquele momento, os artistas de Minas Gerais tomaram posição definitiva na história, criando e renovando. Guignard incentivava a criação e ao mesmo tempo exigia disciplina.

Nas aulas, o lápis duro era o mestre condutor.

"Nada de borracha "

"Você deve observar a natureza, seja ela uma pessoa física, um retrato ou uma paisagem. "

"Observar o que você vê, sem pressa de acabar. "

Fazíamos então retratos "do natural", nada de cópias fotográficas. Levávamos dias seguidos no trabalho de um retrato, procurando trazer para o papel o que estávamos vendo.

Ao lado disto, Guignard nos conduzia também à linha contínua que trazia a liberdade de expressão, sem condicionamentos. Partir de um ponto e regressar ao mesmo ponto. Com este ensinamento eu pude realizar projetos de escultura e pinturas de quadros construtivos, sem preocupações, buscando novos caminhos e direções na arte.

 

Bom dia, Guignard!

Estou com 101 anos de vida e até hoje sigo as suas orientações.

Obrigada, mestre!






 

FOTOS DE ARQUIVO

 

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quarta-feira, 12 de abril de 2023

ORIGEM DAS ESCULTURAS

 



As esculturas nasceram dos desenhos.

Em 1953, na minha exposição na Galeria do IBEU no Rio, o crítico Antonio Bento me sugeriu transformar os desenhos em esculturas de fio de ferro para alcançar o espaço tridimensional.

Escreveu ele: “Alguns desses desenhos possuem uma grande pureza linear. E são, ao mesmo tempo, de uma qualidade arquitetônica irrecusável. Lembram esculturas de fio de ferro, pela nitidez com que se erguem no espaço, parecendo feitas para uma vida mais transcendente que a do simples desenho em preto e branco. As últimas composições da artista denotam uma segurança que não se encontra em muitos dos nossos abstratos de maior experiência. E revelam também uma sensibilidade apurada.”

Naquela época eu não investi nas esculturas porque gostava das cores da pintura. Trabalhei com as cores até os painéis de grandes dimensões. Depois vieram novos desenho, em grandes dimensões, os desenhos gestuais. Eles nasceram da minha fase de Barcos de 1963 e foram ampliações desta fase.

Mas a grande virada veio no ano 2000, meu ponto de mutação. Foi quando surgiram as primeiras esculturas originadas de pequenos desenhos da década de 1950.

Na ocasião, eu observava o trabalho tridimensional de minha neta Elena que estudava arquitetura. Ela usava programas de computador para transformar o bidimensional em tridimensional. Fiquei animada a usar também o tridimensional para os meus desenhos.

Ali eu poderia ampliá-los para maiores dimensões , como foi sugerido pelo crítico Antonio Bento em 1953.

Os desenhos bidimensionais se tornaram tridimensionais. Elena construiu as primeiras maquetes e procuramos o Allen Roscoe que trabalhava para o Amílcar de Castro.

Com a colaboração do Allen, muitas esculturas surgiram.

Mais tarde busquei a forma redonda usando tiras de papel.

Foi importante este tipo de trabalho.

Foi necessário um despojamento completo das cores, através dos grandes desenhos para dar início às esculturas.