Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
terça-feira, 4 de junho de 2013
JOAQUIM PEDRO NA ÍNDIA
Acrescento o depoimento de Joaquim Pedro, meu neto, que em 2007 esteve
na Índia:
“Apenas uma pequena nota para dizer que,
para os que querem uma experiência única de conhecer uma cultura
totalmente diferente da nossa, a Índia é um prato cheio. Uma viagem que
começa com o choque inicial da precariedade e do caos indiano aos poucos
se transforma numa apreciação profunda dessa cultura rica e milenar. A
Índia não permite julgamentos rasos, e a viagem é para os que têm mente
aberta e estomago forte.
Ao contrario da China, que impressiona e assusta logo no
primeiro instante, a Índia é descoberta aos poucos e a admiração cresce
com a profundidade do conhecimento. Os contrastes são enormes - das cores
do Rajastão ao safari urbano de Delhi, dos ashrams de Rishikesh à
hospitalidade portuguesa de Goa, da modernidade de Bangalore e Bombaim à
cultura milenar de Varanasi. Palácios se misturam com favelas. Vacas,
elefantes, macacos e camelos se misturam com gente. O espetáculo do
crescimento - que aqui realmente acontece - contrasta com a miséria vista
a olhos nus.
O constante é mesmo o povo indiano, sempre gentil, cordial,
simpático, e atencioso. A pobreza econômica pior que a brasileira e
sempre acompanhada da nobreza de espírito. Não há espaços para violência
e a convivência pacífica com outros e com a natureza é um hábito
solidificado. O indiano nos recebe como irmãos, nos acolhe e nos ensina.
Temos muito que aprender com eles.
Delhi
As primeiras impressões aqui tem sido de muita gente, muita
pobreza e muita confusão. Ontem fizemos um passeio por Old Delhi, entre becos,
lojinhas e macacos no topo dos prédios. Deixa a Rocinha no chinelo em termos de
pobreza e precariedade. Isso para não falar nos elefantes, camelos e vacas nas
ruas.
Ontem também fomos ao monumento a Gandhi e à mesquita local. As
tradições hindus, muçulmanas, sikhs se misturam. Fomos também a um palácio
parecido com o Taj Mahal que veremos, dentro de dois dias, em Agra.
Aqui as coisas na área de educação funcionam
bem diferente. A maior discrepância é o foco enorme deles em tecnologia que é
mesmo o motor de empregabilidade do país. Custo barato, alta especialização,
bons salários.
Dê uma olhada no www.niit.com, maior companhia de treinamento de Tecnologia da Informação-
TI do país.
*Fotos de Joaquim Pedro Andrés e Maurício Andrés.
VISITE TAMBÉM MEU OUTRO BLOG "MINHA VIDA DE ARTISTA", CUJO LINK ESTÁ NESTA PÁGINA.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
INHOTIM NO PANORAMA INTERNACIONAL
Neste blog dedicado às viagens recebi a colaboração
do Doutor Cid Velloso, que tem realizado inúmeras viagens pelo mundo, sempre
observando museus e anotando diversos aspectos da Arte Contemporânea.
“Em janeiro passado,
fui à Ilha da Madeira e Portugal, tendo visitado alguns museus e jardins
botânicos. Insensivelmente, não pude deixar de fazer um paralelo com o INHOTIM,
por ser uma referência que conheço.
Na Ilha da Madeira,
visitei o Jardim Botânico: uma área de grande extensão, com inúmeras espécies
de árvores (inclusive muitas palmeiras), plantas, flores e folhagens, bem
classificadas, situadas em uma região montanhosa da Ilha. O nome Madeira foi aplicado
à Ilha, ao ser povoada pelos portugueses, por causa das imensas florestas que
possuía, daí a importância e o acervo do Jardim. Não pude deixar de lembrar que
o INHOTIM é mais bonito, com ajardinamento mais artístico e com mais espécies
de palmeiras.
Na estrada de Lisboa
para Óbidos, há um desvio para Carvalhal, onde existe o Jardim da Paz Buddha,
criado pelo grande produtor de vinhos José Berardo: é uma imensa área rural,
com inúmeras estátuas de Buda feitas de granito, mármore e terracota, tendo também
uma réplica de parte dos guerreiros de Xi´an (China) e uma pequena réplica das
rochas de Stonehenge (Reino Unido). No início do Jardim, está sendo montado um
setor de arte contemporânea a céu aberto, com cerca de 10 estruturas de arte de
grande porte, muitas ainda sem placas de identificação; identifiquei obras
típicas de Alexander Calder, Louise Bourgeois e Botero. A área dos Budas é bem
organizada e com muitas peças, mas torna-se monótona por abordar apenas um tema
e o setor de arte contemporânea ainda está em fase de montagem, com poucas
obras. Evidentemente, o INHOTIM tem um acervo muito maior e mais diversificado.
Em Lisboa, visitei o
Museu de Arte Contemporânea no Centro Cultural de Belém, montado pelo mesmo
empresário José Berardo. Excelente e numeroso acervo, destacando Donald Judd,
Anish Kapoor, Sol LeWitt, Robert Mangold, Manuel Ocampo, Orozco, Richard Serra,
Frank Stella, James Turrel, além de Giusepe Penone e Adriana Varejão (esses
últimos também expositores no INHOTIM). Na entrada do Museu, uma excelente
exposição especial transitória do Hélio Oiticica, muito visitada; na entrada da
exposição, um vídeo mostrava a instalação Magic
Square do Oiticica no INHOTIM.
Em maio do ano passado,
em Paris, visitei o Musée de la Sculpture
em Plein Air, na beira do rio Sena, próximo da Gare d´Austerlitz. São dezenas de esculturas de arte contemporânea
ao ar livre, de autores pouco conhecidos por mim: Liuba Kirova, Liberáki,
Michael Noble, Cardenas, Sklavos, Olivier Brice, Micha Laury, Zadkine, Patkai,
Stahly, entre outros, sendo apenas Brancusi o que identifiquei. Muito
interessante, especialmente na bela região à margem do Sena. INHOTIM tem um acervo muito maior, de melhor qualidade
e de artistas mais consagrados.
Em 2005, eu e Roseni
visitamos Storm King Art Center, situado
a 90 km. ao norte da cidade de Nova York. Montado em 1960 em uma área imensa, possui
esculturas de grande porte espalhadas ao ar livre, fazendo-se a visita em um
trenzinho. Obras de
Alexander Calder, David Smith, Mark Suvero, Henry Moore, Noguchi, Richard
Serra, Louise Nevelson, Andy Goldsworthy,
Roy Lichtenstein, Alexander Liberman, entre outros. Um
grande e excelente centro de arte, mas sem nenhuma abordagem do setor botânico;
tivemos um problema: como passamos o dia na área, procuramos um local para
tomar uma refeição, não encontrando nenhuma lanchonete ou restaurante, apesar
de ser um local de turismo regular. O acervo de arte contemporânea pode ser
comparado ao INHOTIM, mas a falta de um jardim botânico em torno e a falta de
uma estrutura turística adequada foram pontos falhos no Storm King.
Não são muitos modelos
similares ao INHOTIM visitados por mim, mas já é possível vislumbrar que nosso
centro de arte assume uma categoria internacional de qualidade, organização e
competência.” Cid Velloso)
*Fotos da internet
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quarta-feira, 8 de maio de 2013
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