Artista plástica, ex-aluna de Guignard. Maria Helena Andrés tem um currículo extenso como artista, escritora e educadora, com mais de 60 anos de produção e 7 livros publicados. Neste blog, colocará seus relatos de viagens, suas reflexões e vivências cotidianas.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
A CHEGADA DO HOMEM À LUA I
Encontrei nos meus
arquivos, o texto abaixo, escrito em 1969, quando o homem chegou à lua.
Quando no silêncio do
atelier, tomamos uma tela branca e começamos a elaborar um novo quadro, não
temos conhecimento muito claro do que se processa por detrás das pinceladas.
Criamos porque sentimos necessidade de dizer , de proclamar alguma coisa que
nos emociona, seja uma paisagem, uma figura, uma ideia, uma intuição. Lírica ou
agressiva, realista ou abstrata, a forma de arte é uma exteriorização daquela
ideia que se esboça vagamente. Brotando do inconsciente sem imposições
externas, ela transmite a nossa emoção diante do mundo e pressentimentos claros
do que está por acontecer no futuro. Toda a minha fase de naves
interplanetárias antecedeu a chegada do homem à lua.
Naquela época em que o
homem pisava pela primeira vez o solo de outro planeta e regressava à terra
triunfante, vivemos e sentimos o impacto das histórias fantásticas que se
transformam em realidade. Aquilo que pressentíamos apenas, ou sonhávamos, isto
é, conhecer e explorar o mistério das estrelas, aí estava ante nossos olhos
assombrados. Eles desceram realmente na lua, foram vistos pela TV, escutados
pelas transmissões de rádio!
Os artistas da
atualidade, criados neste ambiente de procura científica do desconhecido,
inspiram-se e às vezes até adiantam-se às conquistas espaciais. Através da
imaginação descortinamos a lua e outros planetas. Não são poucos os pintores e
desenhistas, escultores e gravadores que se preocupam com o que anda por lá,
nas regiões inexploradas deste céu imenso. Acompanhamos em imaginação as
experiências que se fazem no mundo e, se não pudemos pisar realmente o solo
lunar, navegamos pelo espaço cósmico procurando um lugar ao sol para o nosso
pouso.
Artistas abstratos como
Danilo de Preti e Mabe nos dão
testemunho desta preocupação com o espaço interplanetário. Pintaram paisagens
imaginárias, não as paisagens a que nos acostumamos a ver. Minha fase interplanetária
foi um reflexo das preocupações espaciais. São naves que transportam seres
humanos, levam cidades, oficinas, máquinas, fábricas, numa imigração futura
para mundos nunca dantes percorridos.
*Fotos de arquivo e da
internet
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terça-feira, 9 de agosto de 2016
UMA EXPERIÊNCIA TRANSCENDENTAL
Meu primeiro contato com os ensinamentos de
Krishnamurti aconteceu em 1973.
Comprei um livro no aeroporto de Belo Horizonte
e segui viagem para Brasília. Li durante a viagem e durante toda a noite, não
conseguia parar. Só terminei quando o sol se levantou.
A partir daquela experiência, minha vida tomou uma
direção completamente diferente.
A força de suas palavras derrubou antigos conceitos.
Desde aquela época comecei a perceber que o grande
mestre era a minha própria vida, não havia mais necessidade de me filiar a
organizações ou grupos espiritualistas.
Naquela ocasião, eu me defrontava com uma série de
experiências extra-sensoriais e uma delas definiu o meu caminho.
Era noite de lua cheia. Estava num estado de quase
vigília, num estado transpessoal. Sentia muita sede, via a claridade da lua
batendo sobre o copo d’água à minha frente, mas algo me colocava imóvel, na
cama.
Quatro instrutores me apareceram. O primeiro me deu
o seguinte ensinamento: “A melhor maneira para você matar a sua sede é praticar
estes exercícios de yoga”. Pratiquei-os e continuei com sede.
Então outro se aproximou e me ensinou uma dieta
especial. Pratiquei também este ensinamento e continuei com sede.
Em seguida um terceiro deu-me instruções sobre determinadas
regras de conduta e, apesar de praticá-las, continuei com sede.
O quarto ensinou-me respirações adequadas, mas o
resultado foi o mesmo.
Então, levantei-me de um salto, peguei o copo d’água
e o bebi. Neste instante, uma voz interna me falou: “Seu caminho é direto”.
As madrugadas me traziam novas experiências e numa
delas recebi um toque no chacra entre as sobrancelhas e no alto da cabeça. Um
estado de Ananda (paz interior) me invadiu. Foi quando eu pude compreender as
palavras de São Paulo: “Já não sou eu quem vive, é o Cristo que vive em mim.” Meu
arquétipo da divindade preparou o caminho para a realização do Deus impessoal,
ou a união com o imensurável. Para isso eu teria de entregar o Cristo Interno.
Esta experiência não pode ser descrita mas foi a porta de entrada para o meu
dharma (missão) de estudos, experiências e viagens.
Todos os mestres me ajudaram e a eles agradeço as
instruções e as setas indicando o caminho.
Só assim poderei seguir viagem em direção à Essência
de onde vim e para onde retornarei.
*Fotos de Maria Helena Andrés
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