segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A CHEGADA DO HOMEM À LUA I


Encontrei nos meus arquivos, o texto abaixo, escrito em 1969, quando o homem chegou à lua.

Quando no silêncio do atelier, tomamos uma tela branca e começamos a elaborar um novo quadro, não temos conhecimento muito claro do que se processa por detrás das pinceladas. Criamos porque sentimos necessidade de dizer , de proclamar alguma coisa que nos emociona, seja uma paisagem, uma figura, uma ideia, uma intuição. Lírica ou agressiva, realista ou abstrata, a forma de arte é uma exteriorização daquela ideia que se esboça vagamente. Brotando do inconsciente sem imposições externas, ela transmite a nossa emoção diante do mundo e pressentimentos claros do que está por acontecer no futuro. Toda a minha fase de naves interplanetárias antecedeu a chegada do homem à lua.

Naquela época em que o homem pisava pela primeira vez o solo de outro planeta e regressava à terra triunfante, vivemos e sentimos o impacto das histórias fantásticas que se transformam em realidade. Aquilo que pressentíamos apenas, ou sonhávamos, isto é, conhecer e explorar o mistério das estrelas, aí estava ante nossos olhos assombrados. Eles desceram realmente na lua, foram vistos pela TV, escutados pelas transmissões de rádio!

Os artistas da atualidade, criados neste ambiente de procura científica do desconhecido, inspiram-se e às vezes até adiantam-se às conquistas espaciais. Através da imaginação descortinamos a lua e outros planetas. Não são poucos os pintores e desenhistas, escultores e gravadores que se preocupam com o que anda por lá, nas regiões inexploradas deste céu imenso. Acompanhamos em imaginação as experiências que se fazem no mundo e, se não pudemos pisar realmente o solo lunar, navegamos pelo espaço cósmico procurando um lugar ao sol para o nosso pouso.

Artistas abstratos como Danilo de Preti  e Mabe nos dão testemunho desta preocupação com o espaço interplanetário. Pintaram paisagens imaginárias, não as paisagens a que nos acostumamos a ver. Minha fase interplanetária foi um reflexo das preocupações espaciais. São naves que transportam seres humanos, levam cidades, oficinas, máquinas, fábricas, numa imigração futura para mundos nunca dantes percorridos.

*Fotos de arquivo e da internet


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